08 de julho de 2026
Geral

Saúde tenta adaptar leitos de UTI

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Para atender a demanda, o sistema de saúde de Bauru tenta, sem a criação imediata de novos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), fazer o que pode. Uma reunião ontem definiu que cinco leitos do Hospital de Base (HB) serão “transformados” em UTIs com isolamento. Além disso, hospitais passaram a utilizar salas de emergência para o tratamento desses pacientes.

JC

Saúde providencia novos leitos de Unidades de Terapia Itensiva (UTIs) ; no HB será cinco de imediato 

A estratégia foi confirmada pelo vice-presidente da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), Antônio Rugolo Junior. “Tivemos uma reunião com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e decidimos separar cinco novos leitos para funcionar como UTI com isolamento”.

A medida foi adotada após, no sábado, o JC ter divulgado que, em plena época de risco de H1N1, Bauru contava apenas com três leitos de UTI com isolamento.

Na mesma reportagem, foi revelada que a situação geral das UTIs em Bauru é preocupante. Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, o sistema público conta com 47 vagas atualmente, divididas entre 26 no HB e 21 no Hospital Estadual (HE). Ambas as instituições são geridas pela Famesp.

“Nesta época do ano, os problemas respiratórios se agravam e a situação fica ainda mais complicada. Por isso, vamos adaptar esses leitos com isolamento”, aponta Rugolo.

Ele também confirma que salas de emergências estão sendo usadas como UTI. E isso não ocorre somente no sistema público de saúde. Conforme o JC divulgou no fim de semana, o Hospital da Unimed tinha pacientes que aguardavam vaga na sala de emergência do Pronto Atendimento Adulto. A instituição promete aumentar a capacidade da UTI ainda este ano.

No papel

Já no sistema público, Rugolo explica que, atualmente, há dois planejamentos para ampliar o número de leitos de UTIs em Bauru. Um deles envolve a criação de cerca de 10 novas vagas no Hospital Estadual (HE). “Já entregamos, no começo do ano, o projeto na Secretaria da Saúde do Estado. Em abril, foi reiterado. Estamos aguardando”, argumenta.

Já o outro planejamento se refere a 12 novos leitos no HB e é considerado “mais fácil” pelo vice-presidente da Famesp. “Mas já adianto que não vai ser algo para agora”.

Essa ampliação faz parte das reformas do HB e já está prevista em orçamento, porém o projeto está em fase final no papel. “Depois, iremos abrir as licitações para essa obra, que será grande. Mas realmente a prioridade é ampliar a UTI e reformar o centro cirúrgico. Queremos fazer isso para este ano ainda”, finaliza Antônio Rugolo Junior.


Vagas solicitadas

A reportagem do JC entrou em contato com as diferentes esferas para – tentar – entender de quem é a responsabilidade para gerar novas vagas de UTI em Bauru.

O Ministério da Saúde, por meio da assessoria de comunicação, explica que analisa qualquer projeto solicitando aumento de vagas em UTIs que venha tanto do município quanto do Estado.

Antônio Rugolo Junior, da Famesp, afirma que quem emite a verba seria a esfera estadual e que o governo federal, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), manteria esses leitos após sua criação.

Já a Secretaria da Saúde do Estado, por meio do Departamento Regional de Saúde de Bauru, reafirma que já pleiteou junto ao Ministério da Saúde pelo menos 31 novas vagas para a região. O número do processo do pedido, porém, não foi informado e, sem ele, segundo o Ministério da Saúde, seria impossível descobrir o andamento da solicitação.

“Vale deixar claro também que o fortalecimento da rede de assistência à saúde, com criação de novos leitos, não é uma prerrogativa exclusiva de governos estaduais. Cabe também aos municípios e depende do aumento do teto financeiro do SUS de São Paulo, pelo Ministério da Saúde”, disse a Secretaria do Estado, em nota.