Repercutiram na sessão da Câmara Municipal os problemas que vêm sendo mostrados pelo Jornal da Cidade em razão do número insuficiente leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). (Leia mais na página 5). Vereadores endureceram as críticas, relembraram discussões em audiências públicas sobre o assunto e decidiram atuar como protagonistas na luta para reverter o cenário.
Será lida na próxima semana uma solicitação de agendamento de audiência de parlamentares junto ao governador Geraldo Alckmin (PSDB). O objetivo será pedir o aumento de vagas na UTI de Bauru. A iniciativa partiu de Markinho da Diversidade (PMDB), mas o pedido será assinado por todos os vereadores.
Também por unanimidade será apresentada, na próxima semana, moção de apelo com o mesmo fim; esta articulada por Fabiano Mariano (PDT). “Não podemos aceitar esta situação. São 43 leitos de UTI para uma população de 1,6 milhão de pessoas”.
Presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PT) ressaltou o custo relativamente baixo para a expansão dessas vagas. “Eu fiz o levantamento. Para ampliar em 10 leitos, precisamos de uma área de 150 metros quadrados e investimento que varia entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão”.
Autor da proposta de audiência com Alckmin, Markinho fez um dos discursos mais enfáticos. “Quantas Driellys terão que morrer? Quantas Giseles terão seus rins paralisados?”, questionou.
O vereador explicou que a ideia de conversar com o governador surgiu a partir dos bons resultados obtidos a partir da experiência de formação de uma comitiva que, neste ano, foi a Brasília entender a dívida da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Depois dessa iniciativa, os parlamentares tiveram mais condições de pressionar o governo municipal para buscar a solução do problema.
Telma Gobbi (PMDB) lembrou audiência pública em que cobrou cronograma para ampliação dos leitos da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que gerencia toda a rede hospitalar instalada no município.
Apartidário
Bussola elogio a iniciativa e colocou o Poder Legislativo à disposição da medida. O petista lembrou ainda a importância do engajamento dos vereadores do PSDB nesta empreitada, já que são do mesmo partido político de Alckmin.
Arildo Lima Júnior (PSDB) afirmou que, acima dos compromissos partidários, está sua responsabilidade junto à sociedade. “Precisamos fazer o debate de forma sincera, honesta e desinteressada, com base em dados que nos possibilitem um diagnóstico real da situação”.
Há um entendim ento de que cabe à União (sistema SUS) a responsabilidade sobre a iniciativa de criar mais leitos de UTI na cidade (Leia mais na página 5). Em razão disso, Carlão do Gás (PR) buscou despartidarizar a discussão. “Vamos atrás do governador e, se for preciso, vamos a Brasília também. Não podemos nos contentar com pouco. Precisamos do que é suficiente para a cidade e a demanda da região. Não podemos ficar à mercê da Central Reguladora de Vagas”.
X da questão
Durante a sessão da Câmara Municipal de ontem, Raul Gonçalves Paula (PV) exibiu vídeo da audiência pública, realizada este ano, que discutiu a retaguarda hospitalar no município. Na ocasião, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, pontuou os principais problemas.
Não há dificuldades, por exemplo, para casos de politraumatismo. Segundo Sabbag, elas se concentram em pacientes idosos, com pneumonia e também vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Aí ficam quatro, cinco, seis e até sete dias esperando por vagas”.
São diagnósticos considerados de média complexidades, que, se não tratados de forma adequada, evoluem e podem levar ao óbito.
O vereador do PV, na audiência, ainda criticou a estratégia de regionalização defendida pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-6). “Na cabeça da família de um paciente de Bauru, é inconcebível a transferência dele para um leito em Promissão, saindo do centro de referência. Só seria aceitável se não tivéssemos, na cidade, condições de ampliar estrutura física e mão-de-obra capacitada”.
Quem também resgatou situações passadas foi Fabiano Mariano (PDT). O vereador informou que vai solicitar à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (Alesp) o andamento das apurações acerca de denúncias de “escolha” de pacientes no Hospital Estadual (HE).