09 de julho de 2026
Bairros

Cruzamento é alvo de reclamações

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos/Douglas Reis

Galhos na rua José Fernandes atrapalham visualização da placa de parada obrigatória

Alvo antigo de reclamações pela vizinhança do Jardim Nasralla, na zona sul de Bauru, o cruzamento entre as ruas Machado de Assis e José Fernandes voltou a registrar acidente ontem, dois dias após a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) reforçar a sinalização de Pare no local. A colisão entre carros no trecho já não é mais novidade para os moradores das imediações, que cobram a instalação de um semáforo sustentando que a confluência entre as vias tem registrado até dois acidentes por semana.

Conforme o JC apurou, o acidente no trecho envolveu dois veículos e aconteceu no início da manhã de ontem.

O fato, segundo moradores, teria acontecido após uma caminhonete, que seguia pela Machado de Assis, via preferencial, ser colhida por um carro

Acidente ontem no início da manhã danificou placas de ruas

com placas de Piratininga no cruzamento. O condutor do carro teve ferimentos leves no peito e precisou ser atendido por uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Por volta das 11h, ainda era possível encontrar vestígios da colisão no local como, por exemplo, partes de parachoques e uma placa com o nome das ruas torta sobre a calçada.

O acidente acontece dois dias após a Emdurb, justamente preocupada com o número de colisões no trecho, reforçar a sinalização de parada obrigatória, existente à direita da pista na rua José Fernandes, instalando outra placa à esquerda.

“Esse já é o quarto acidente que acontece aqui em duas semanas. E todos são pelo mesmo motivo, o pessoal não respeita ou não enxerga o Pare. Não adianta reforçar as placas, falta um semáforo aqui”, reclama o fisioterapeuta Alexandre Daré de Almeida, 22 anos.

Dois por semana

A mesma crítica e exigência é feita por um casal que mora há 48 anos na rua José Fernandes, que conversou com a reportagem, mas pediu para não ser identificado.

“Há anos isso acontece, mesmo quando a rua era de mão dupla. São pelo menos dois acidentes por semana”, reforça a mulher de 81 anos. “A sinalização não adianta. Seria bom se colocassem um semáforo, aumentaria a segurança de todos”, acrescenta o homem de 80 anos.


Histórico violento

Na tarde do dia 13 de julho de 2011, um fato corriqueiro quase virou tragédia no cruzamento em questão, depois que o condutor de um Del Rey colidiu lateralmente em um Siena, que capotou. Por sorte, ninguém se feriu com gravidade na ocasião.

Na época, conforme o JC divulgou, falava-se que o desrespeito à sinalização teria causado o acidente no trecho.

No mesmo ano, moradores reclamavam sobre o aumento do fluxo de veículos no local após a instalação de um supermercado no bairro e da implantação da Zona Azul na rua Rio Branco, reivindicando a transformação da via em mão única. Fato este que foi atendido meses depois pela Emdurb, após um abaixo-assinado. 


Placa encoberta

A presença da nova sinalização no local, contudo, parece não ter resolvido problemas antigos no cruzamento, já que a placa de parada obrigatória oficial, existente à direita, continua encoberta do ângulo de visão dos condutores pelos galhos de uma pequena árvore ao final da rua José Fernandes.

“A placa fica escondida atrás da árvore. Com um caminhão ou carro na frente fica impossível enxergar”, reclama uma motorista de 52 anos, que conta ter se envolvido em um acidente no trecho há menos de 15 dias. A colisão resultou na perda total do carro da reclamante. Por sorte, ninguém se feriu.

Se a sinalização não ajuda, o desrespeito e a imprudência dos condutores em meio à pressa e ao estresse do trânsito urbano aumentam ainda mais a chance de acidentes no trecho.

Durante a presença da reportagem no local, vários motoristas foram flagrados arriscando a travessia direta da via ou parando o veículo somente ao avançar quase metade do cruzamento, fatos que aumentam exponencialmente os perigos para os próprios condutores e para os pedestres, que transitam desprotegidos nas calçadas.


Semáforo

Em nota, a Emdurb informou que realizará uma pesquisa de volume de tráfego no referido cruzamento para verificar se cabe ou não a instalação de semáforo.

Dentre os critérios destacam-se número mínimo de veículos, interrupção de tráfego contínuo e ocorrência de acidentes. Quanto ao critério do volume de veículos, a pesquisa de contagem é feita por funcionários da Emdurb, num período de 12 horas.

“Daí são selecionadas as oito horas de maior fluxo e efetuada a média dessas oito horas, onde na via principal o resultado tem que ser maior de 600 veículos por hora, e na via secundária o resultado tem que ser maior de 200 veículos por hora, quando as duas vias possuírem duas faixas de rolamento ou mais. Se o cruzamento tiver resultado igual ou superior ao volume indicado, cabe a  semáforo”, explica. Após a conclusão do estudo e caso seja positivo, o local entrará na

programação semafórica da empresa municipal.