Apesar da mobilização da bancada evangélica, um pedido de vista suspendeu ontem a votação de um projeto na Comissão de Direitos Humanos (CDH) que, na prática, permite aos psicólogos promoverem tratamento com o fim de curar a homossexualidade.
O deputado Simplício Araújo (PPS-MA) pediu mais tempo para analisar a proposta, conhecida como “cura gay”. O projeto deve voltar a ser discutido em duas semanas pela comissão.
Antes do pedido, o presidente da comissão, Marco Feliciano (PSC-SP), esperou por mais de 40 minutos a chegada de colegas para dar início aos trabalhos. Feliciano e assessores dispararam telefonemas pedindo a presença dos deputados na comissão.
A bancada evangélica esperava aprovar a proposta na véspera de uma marcha contra aborto e casamento gay convocadda pelo pastor Silas Malafaia em frente ao Congresso.
O pedido de vista gerou mal-estar. Alguns parlamentares, alinhados a grupos religiosos, defenderam a proposta e criticaram o adiamento da votação.
Feliciano ironizou a forma como o projeto é conhecido. “Eu ando nas ruas e me pedem injeção, remédio para curar gay.” Os deputados disseram que a ideia é apenas permitir a orientação para gays.