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Reprodução/Éder Azevedo |
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A operadora de caixa Gisele Viana, 22, só conseguiu vaga na UTI do HE por meio de mandado judicial |
Há oito meses, Gisele Valdenice Viana, 22 anos, dava seu primeiro passo para conseguir realizar um sonho de infância. Tornar-se confeiteira e formar uma família. Trabalhando como operadora de caixa em uma confeitaria na Zona Sul de Bauru, a jovem recém-casada e empregada esperava, segundo a família, por uma oportunidade na cozinha do local onde trabalhava. “Ela já foi vendedora em uma loja de calçados e, agora, estava perto de conseguir o que queria, fazer bolos em confeitaria”, conta emocionada, Maria Valdenice Viana, 42 anos, mãe da jovem provável vítima de complicações causadas por diabetes.
Conforme o JC divulgou, a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde informaram que Gisele não possuía síndrome respiratória aguda grave (SRAG), nem mesmo teria sido confirmada como portadora do vírus tipo A (H1N1), conforme apontavam as primeiras suspeitas. A Secretaria de Estado da Saúde informou que a causa provável da morte de Gisele, na noite desta quarta-feira (5), na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Estadual (HE), teria sido por conta de uma infecção generalizada devido complicações em função do diabetes.
A jovem ficou internada por 5 dias na UTI unidade, após esperar dois dias pela internação na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Bela Vista e Pronto-Socorro Central (PSC).
De acordo com a família, entretanto, Gisele era uma jovem saudável e nem desconfiava que pudesse ter diabetes. “O único problema de saúde que ela teve foi há 10 anos, quando precisou operar para tirar um cisto da coluna. Não dá para entender como essa diabete pode ter surgido do dia para noite”, ressalta Maria Valdenice. “Vamos entrar na justiça. Se ela tivesse sido internada antes, teria mais chances. Sabemos que ela não voltará mais, mas poderá evitar que o mesmo ocorra com outras pessoas”, lamenta a mãe da vítima.
Histórico
No final do mês passado, a família de Gisele procurou o Jornal da Cidade devido à dificuldade em conseguir uma vaga de internação. Com insuficiência renal, Gisele vinha sendo submetida à hemodiálise. “Os médicos disseram que ela teve falência múltipla dos órgãos. O sangue não estava circulando direito e estava coagulando na região das pernas. Eles disseram que não havia mais nada a fazer. A Gisele estava nas mãos de Deus”, lamenta a tia, Sandra Domingos Viana, 37 anos.
A operadora de caixa passou mal no dia 27 de maio e procurou o Pronto-Socorro Central (PSC) dois dias depois. Lá, segundo a família, médicos teriam dito que a jovem estava grávida, o que também foi negado pelas duas secretarias.
Um leito de UTI foi disponibilizado em Promissão, mas, devido à gravidade do quadro da paciente, os médicos não recomendaram a viagem, de 120 quilômetros. A vaga no HE só foi obtida por meio de mandado judicial no dia 31 de maio.
Revolta
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Éder Azevedo |
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Familiares e amigos prestam as últimas homenagens durante o velório |
Um misto de tristeza e revolta. É assim que os familiares da operadora de caixa Gisele Valdenice Viana, 22 anos, estão se sentindo. A jovem, que esperou dias por uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), morreu na noite de ontem. O caso se tornou emblemático na crise de falta de leitos para tratamento intensivo em Bauru.
Gisele trabalhava normalmente na segunda-feira da semana passada quando começou a passar mal. Em poucos dias, entrou em coma diabético. A família afirma que foi confirmada a H1N1, porém a informação foi negada pela Secretaria de Estado da Saúde. A causa provável da morte foi uma infecção generalizada causada pelo diabetes.
“Estamos revoltados. Que foi negligência, foi. Se ela tivesse atendimento mais cedo, seria diferente”, disse Sandra Domingos Viana, 37 anos, tia de Gisele.
A revolta e a negligência são, segundo a família, pelo fato de a jovem só ter conseguido uma vaga de UTI quatro dias depois ter passado mal. Mesmo com o quadro grave, ela somente conseguiu ser internada na UTI do HE na última sexta-feira com um mandado judicial.
Enquanto a jovem estava na emergência, teve uma parada cardíaca. Durante a transferência, os familiares afirmam que ela teve outra. A família já sabia ontem que a probabilidade de ela sobreviver era remota, mas mantinha a esperança.
Esperança que foi pelos ares por volta das 20h de ontem. “Alguma coisa tem que ser feita. Nesse tempo, disseram que, se ela tivesse tido atendimento antes, o quadro seria diferente. Se depender de mim, entraremos na Justiça”, disse Sandra Viana, aos prantos.
Em Bauru, o sistema público conta atualmente com 47 vagas atualmente, divididas entre 26 no HB e 21 no Hospital Estadual (HE). Após a divulgação da notícia pelo JC, hospitais criaram vagas provisórias de UTIs.
O velório da jovem está sendo realizado desde 2h30 desta quinta-feira (6), no Centro Velatório São Vicente, localizado na Praça Dom Pedro II, 1-65, ao lado da Câmara Municipal. O enterro está previsto para às 16h no Cemitério Jardim do Ypê.