Em meio a pelo menos duas mortes suspeitas de gripe A (H1N1), Bauru registrou mais um caso da doença, confirmado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde. O paciente, um homem adulto, já recebeu alta, depois de ser submetido a tratamento no Hospital Estadual (HE). Ele era morador do Núcleo José Regino e seu nome não foi divulgado.
Desde o início de 2013 até o momento, já foram registrados 14 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) na cidade, incluindo dois homens acometidos pelo vírus Influenza A (H1N1). Ao contrário do morador do Núcleo José Regino, que se recuperou, o empresário Nilton Roberto Chies, 47 anos, morreu no último dia 16 de maio, depois de permanecer internado por sete dias em um hospital da rede privada de saúde.
Além dele, outros dois homens morreram recentemente com suspeita da doença. O diagnóstico de ambos, segundo familiares, ainda não foi confirmado. Uma das vítimas, um homem de 49 anos, morador da Vila Cordeiro, região da Bela Vista, morreu ontem e seria sepultada na tarde de hoje. Ainda abalados, parentes e amigos preferiram não falar com a reportagem.
A outra morte suspeita foi a do comerciante Silas Alves da Silva, 50 anos, que morreu no último dia 30 de maio, depois de permanecer por 15 dias internado no HE. No atestado de óbito, consta que a morte foi provocada por choque séptico, pneumonia bacteriana e pneumonia provocada pelo vírus da gripe.
Nascido em Bauru, Silas era dono de uma oficina mecânica no Jardim Solange e criava três filhos na cidade. Mas, como estava morando em uma propriedade rural de Piratininga, a morte por gripe A, se confirmada, deverá ser computada por aquele município.
Seis vezes
Foi na cidade vizinha que Silas buscou ajuda quando começou a sentir-se mal, no início do mês passado. “Ele foi ao pronto-socorro seis vezes. Suspeitaram de dengue, deram soro e dipirona, mas sempre o mandavam de volta para casa. No dia 14 de maio, ele voltou e já não conseguia mais respirar”, relembra o filho, Silas Alves da Silva Junior, 26 anos.
Transferido para o Hospital de Base de Bauru, o comerciante foi entubado e, já em coma induzido, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HE, onde o fosfato de oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu) começou a ser administrado. De acordo com a família, Silas não possuía doenças crônicas que pudessem agravar o seu quadro, mas, mesmo assim, acabou não resistindo.
“Ele tinha saúde excelente, mas infelizmente não recebeu o tratamento adequado quando os sintomas começaram”, lamenta o filho que, na companhia da irmã, Cristiane Mary Alves da Silva, 23 anos, tem tocado a oficina deixada pelo pai. Além dos dois, Silas deixou mais uma filha, de apenas 4 anos de idade.
De acordo com eles, nem o hospital, nem qualquer órgão público de saúde os orientou sobre os procedimentos a serem adotados por conta de terem mantido contato próximo com um paciente que morreu com suspeita de H1N1. No ano passado, duas pessoas morreram em decorrência da doença e cinco contraíram o vírus em Bauru.
Alerta
Devido ao aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e à aproximação do inverno – quando o volume deste tipo de registro tende a crescer –, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou um alerta aos profissionais da rede pública e privada sobre os procedimentos corretos a serem adotados para o diagnóstico e tratamento adequado da população. De acordo com a pasta, o estoque de fosfato de oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu) atualmente mantido pela rede de saúde municipal é de 118 caixas de comprimido, sendo que, desde o início do ano, já foram distribuídas 71 caixas do medicamento.
No entanto, a secretaria esclarece que o Tamiflu é utilizado para tratamento de todos os casos de síndrome gripal e não apenas aqueles causados pelo vírus A (H1N1). O procedimento preventivo é adotado porque o tratamento deve ser iniciado em até 48 horas após o início dos sintomas, independentemente da confirmação diagnóstica. Na síndrome gripal, o paciente apresenta febre, além de tosse ou dor de garganta e pelo menos um desses sintomas: dor de cabeça, no corpo ou nas articulações.