11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Déficit habitacional segura preços

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Não existe retração de preço de imóvel no Brasil. O melhor a fazer quando se encontra um imóvel que atenda as necessidades e se encaixe no orçamento é comprar logo. O alerta foi feito pelo presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, que esteve ontem em Bauru para uma conferência com os profissionais que atuam no mercado imobiliário na cidade e na região.

Segundo o presidente do Creci, o impedimento da queda de valores de imóveis se deve ao grande déficit habitacional existente em todo o país.

“No ano passado, por exemplo, com diminuição de vendas, imaginávamos que a situação iria refletir no preço, mas foi ao contrário, as vendas caíram e o valor dos imóveis continuou aumentando. O setor da construção tem uma capacidade muito limitada para produzir e isso reflete no déficit habitacional”, pontua o presidente do Creci-SP.

De fato, há dez anos, a média de preço dos negócios imobiliários focados na classe C, que ainda representa a maior fatia do movimento no mercado de imóveis, no Estado de São Paulo, era de R$ 100 mil para residências com até três quartos. Entretanto, com o boom da construção vivido nos últimos anos e o aumento da procura, hoje a média de negócios desta mesma classe gira em torno de R$ 200 mil.

“Esperar o preço cair para poder comprar uma casa ou um apartamento é bobagem, isso não vai acontecer. Com o nível de desemprego baixo e a liberação do crédito, a tendência é uma frequência maior de negócios, mesmo que o mercado esteja mais estável”, considera Viana.

Estabilidade

A tendência de estabilidade do mercado imobiliário é uma realidade, conforme aponta o presidente do Creci-SP.  “Entre altos e baixos, terminamos o ano passado com 9,8% de acréscimo no valor dos imóveis comercializados. Antes, esse aumento chegava a até 30%.”

O novo cenário é confirmado pelo delegado regional do Creci-SP, Carlos Eduardo Muniz Candia. “O mercado está estabilizado e essa é uma tendência. O problema é que ainda tem muita gente especulando preços de imóveis por aí”, reforça.

Entrave

Ao que tudo indica, um dos únicos entraves em relação ao número de negócios fechados é o alto valor de financiamento imobiliário para a classe C, que atingiria de 9% a 11% do valor do negócio. “Nesse quesito, as classes D e E acabam levando mais vantagens por ficarem isentas de taxas e por conseguirem financiamentos com valor de parcela mais baratos”, finaliza Viana.