08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Último dia do mês de maio


| Tempo de leitura: 2 min

Uma tarde fria de sol preguiçoso e tal qual menino assustado, escondia-se atrás das nuvens. Ele junto da lareira apagada, olhava de soslaio para a vidraça e percebia que um leve suor vaporoso escorria sua tênue linha d?água em direção ao jardim. Leitura era um de seus melhores momentos no exílio da casa grande. Extensa e robusta biblioteca abria sua porta abrindo-lhe a oportunidade de reler obras de filosofia, histórias de amor e doutrinas Kardecistas. Sentia verdadeira atração pelas palavras de Emmanuel psicografadas por Francisco Cândido Xavier e encontrava nos diversos conteúdos a nutrição para sua alma. Em alguns momentos da longa vida, havia substituído a água pura por bebidas excitantes e deslumbramentos da fantasia que brotavam em seu interior.

Em profunda meditação, interrogava no silêncio ? como guardar Senhor, os ensinamentos e as luzes que esses livros revelam? ? Uma importante resposta encontrou na filosofia Ateniense. Como sabido, Sócrates nada deixou por escrito e o que se conhece dele foram os relatos de seu ex-aluno Platão. Sócrates, na condição de prisioneiro, condenado à morte por envenenamento, disse aos seus carcereiros e ex-alunos: "...De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber do que cometer uma injustiça e que, acima de tudo, devemos cuidar, não de parecer, mas de ser homem de bem".

Agradecido pela resposta, abriu o livro mais uma vez, passou sua mão levemente por entre os escritos Sagrados e depois, com o olhar preso ao lanço da parede, aguardou o instante certo para sair dali. Pretendia naquela tarde continuar esperando o despertar do grande vento, dobrando os galhos das árvores, derrubando folhas como um tufão e dividindo as nuvens ante o seu olhar tristonho.

A luz que estava um tanto fraca em sua alma, com a resposta obtida reacendeu suas esperanças no futuro, transformar para melhor sua religiosidade e assumir doravante o compromisso de tornar-se um homem de bem, colaborando e distribuindo o que for de inteira Justiça. Terminado o mês de maio, vira-se a página e um novo mês terá início para cumprimento das indelegáveis tarefas.

Roque Roberto Pires de Carvalho