08 de julho de 2026
Internacional

Protestos não mudam plano de Erdogan

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse ontem que manterá os planos de reforma do parque Gezi - estopim dos protestos que enfrenta há uma semana -, em Istambul, e criticou a tática de manifestantes de “queimar e destruir”.

Em visita à Tunísia, Erdogan disse nutrir “respeito e amor” pelos que protestam por questões ambientais, mas voltou a afirmar que há o envolvimento de grupos terroristas nas manifestações.

“Se você disser: ‘Vou promover uma reunião e queimar e destruir’, não vamos permitir isso”, disse, após reunião com seu homólogo tunisiano, Ali Laarayedh. “Somos contra que a maioria domine a minoria, e não podemos tolerar o contrário.” Diante das declarações de Erdogan, os manifestantes decidiram permanecer na praça Taksim, que faz parte do complexo do parque.

A reação da Bolsa de Istambul também foi imediata: houve queda de 4,7% hoje, enquanto a lira turca caiu e chegou a 1,89 frente ao dólar.

Ontem, um policial morreu após ser gravemente ferido durante protestos na cidade de Adana, no sul do país. Ele é o terceiro morto desde o início dos confrontos entre manifestantes e policiais, na última sexta-feira. Cerca de 4.300 pessoas ficaram feridas.

Centenas de apoiadores do premiê foram hoje ao aeroporto para recepcioná-lo após viagem de quatro dias.

EUA criticam

A diplomacia americana pediu ontem aos líderes turcos que evitem expressões “inúteis” depois de o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ter relacionado alguns manifestantes que participam dos protestos contra seu governo ao terrorismo.

Esta foi a quinta vez, em uma semana, que o governo de Washington reagiu à situação na Turquia, país aliado dos Estados Unidos. Milhares de pessoas têm saído às ruas para pedir a renúncia de Erdogan nos últimos dias.

“Continuamos apoiando os indivíduos que se manifestam pacificamente e exercem sua liberdade de expressão e estimulamos as autoridades a evitar qualquer retórica inútil, qualquer comentário inútil que não contribua para apaziguar a situação na Turquia”, declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

A porta-voz foi consultada sobre as declarações de Erdogan em Túnis ontem, quando o premier denunciou a presença de “extremistas” na manifestação, alguns “envolvidos com o terrorismo”.

Erdogan enfrentará a exigência dos manifestantes de que ele peça desculpas pela repressão policial durante seis dias de protestos, quando três pessoas foram mortas e mais de 4.000 ficaram feridas em mais de dez cidades, e que demita quem ordenou o uso da força.