08 de julho de 2026
Esportes

Noroeste: lei do silêncio

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 2 min

Acostumada a cobrir o dia a dia do Noroeste, levando as informações do clube ao torcedor, a imprensa esportiva bauruense foi barrada na tarde de ontem antes do treino da equipe profissional, no Estádio Alfredo de Castilho. A determinação partiu do próprio presidente Anis Buzalaf Jr., que está descontente com o tom das matérias publicadas pelos veículos da cidade nas últimas semanas.

Já são dois meses de salários atrasados – hoje vence o mês de maio, e nenhuma informação dá conta de que os vencimentos serão pagos, além de que todos os jogadores e parte dos funcionários seguem sem receber o salário de abril. E mais: os vencimentos de novembro do ano passado e o 13º salário de 2012 também seguem em aberto. Assim, muitos funcionários e os atletas remanescentes do título da Copa Paulista já somam quatro meses de atraso.

Ontem, na entrada do Estádio Alfredo de Castilho, três veículos foram barrados: a TV Tem, a Rádio Auri-Verde e o site Futebol Bauru. Pouco depois, os jornalistas foram liberados para entrar, com a reportagem do Jornal da Cidade chegando logo em seguida, já com a entrada autorizada para a imprensa. Buzalaf confirmou que a medida mais radical faz parte de uma tentativa do clube de evitar o “vazamento” de informações.

“Tem muita informação que está saindo do clube que não era para sair, está prejudicando o andamento das negociações com possíveis patrocinadores. Desse jeito, vamos ter que determinar um, ou no máximo, dois dias por semana para entrevistas da imprensa no Alfredão”, explica Buzalaf, por telefone, ao JC.

Limite

Extraoficialmente, sabe-se que a “gota d’água” foi a matéria publicada com exclusividade ontem pelo Jornal da Cidade, de que novamente o Alfredão está na mira do Ministério Público Estadual, devido a problemas que precisam ser solucionados na parte elétrica do estádio. O clube tem até segunda-feira, dia 10, para apresentar uma resposta ao MP, sob risco de medidas mais drásticas serem tomadas, como a interdição do Estádio Alfredo de Castilho. Pelo menos outros nove estádios paulistas também são alvos do MP.

O funcionário responsável pelo setor administrativo-financeiro do Norusca, Aldemir Vieira, informou que as pendências já estão sendo resolvidas, e que o Alfredão estará em ordem para a Copa Paulista. O promotor das Fundações de Bauru, Luis Gabos Álvares, confirmou que até o final da tarde de ontem ainda não havia recebido nada por parte do Noroeste.


Ajuda

Um supermercado de São Paulo acertou a doação de quatro toneladas de alimento ao Noroeste no início da semana, dividido em quatro meses. A primeira tonelada de alimentos chegou ontem ao Alfredão, e será usada na cozinha para as refeições dos atletas profissionais, das categorias de base e de parte dos funcionários, que almoçam no clube.