09 de julho de 2026
Bairros

Jovem morta precocemente sonhava em se tornar confeiteira e ter filhos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Há oito meses, Gisele Valdenice Viana, de 22 anos, dava seu primeiro passo para conseguir realizar um sonho de infância: tornar-se confeiteira e formar uma família. Trabalhando como operadora de caixa em uma confeitaria na zona sul de Bauru, a jovem recém-casada e empregada esperava, segundo a família, por uma oportunidade na cozinha do local, mas acabou sucumbindo na noite de anteontem, por um quadro provável de complicações causadas por diabetes. “Ela já foi vendedora em uma loja de calçados e agora estava perto de conseguir o que queria, fazer bolos na confeitaria. Ela sempre teve uma ótima mão na cozinha”, conta, emocionada, Maria Valdenice Viana, de 42 anos, mãe da jovem.

De acordo com a família, entretanto, Gisele era uma mulher saudável e nem desconfiava que pudesse ter diabetes.

“O único problema de saúde que ela teve foi há dez anos, quando precisou operar para tirar um cisto da coluna. Não dá para entender como esse diabetes pode ter surgido do dia para noite. Ela gostava de doces, mas fazia mais para os outros”, ressalta a mãe. “Pagamos nossos impostos e quando precisamos da saúde pública é isso o que acontece. Vamos entrar na Justiça. Sabemos que a Gisele não voltará mais, mas isso poderá evitar que o mesmo ocorra com outras pessoas”, afirma Manoel Pedro Viana, de 58 anos, pai da jovem, em tom de revolta.

O corpo de Gisele foi enterrado sob forte comoção no final da tarde de ontem, no Cemitério Jardim do Ypê.

Além dos pais, a jovem deixa o marido, Alex da Silva, 21 anos, e o irmão Júlio Cézar Viana, 21 anos.

Histórico

Conforme o JC divulgou na edição de ontem, Gisele ficou internada por cinco dias na UTI do Hospital Estadual, após esperar quase três dias pela internação em locais improvisados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista e no Pronto-Socorro Central (PSC). A vaga na UTI foi obtida somente por meio de mandado judicial.

Do último final de semana até a noite da última quarta-feira, o quadro de saúde da jovem foi se agravando e culminou com a morte, na noite de anteontem.

No final do mês passado, a família da vítima havia procurado a reportagem do Jornal da Cidade por conta da dificuldade em conseguir uma vaga de internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Com insuficiência renal, a paciente vinha sendo submetida à hemodiálise.

“Os rins dela pararam, as pernas estavam com sangue coagulado e, ontem, (anteontem) por volta das 11h, soubemos que ela teve falência múltipla dos órgãos e que não tinha mais nada a ser feito. Se tivessem levado ela para a UTI antes, talvez ela poderia estar viva ainda”, defende a mãe.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde informaram que Gisele não possuía síndrome respiratória aguda grave (SRAG), nem mesmo teria sido confirmada com infecção causada pelo vírus tipo A (H1N1), conforme apontavam as primeiras suspeitas.

A causa provável da morte de Gisele, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, teria sido uma infecção generalizada devido a complicações em função do diabetes.


‘Ela era a minha vida’, lamenta marido

Criada na zona rural de Bauru e de família humilde, Gisele é descrita como uma pessoa alegre, amiga de todos e boa filha. Ela tinha o ensino médio completo e era casada com o ajudante geral Alex da Silva, de 21 anos, com quem namorou por mais de cinco anos. O sonho do casal, que morava há oito meses no condomínio de chácaras Reunidos Santa Maria, era formar uma família.

“Ela conseguiu o emprego na confeitaria e estávamos planejando um filho para o ano que vem. Ela era minha vida. Foi minha primeira namorada. Perdi o chão”, afirma Alex, emocionado com a morte da esposa.

Conforme o JC divulgou na edição de ontem, inicialmente familiares cogitavam a possibilidade de Gisele estar grávida, mas a suspeita foi descartada pela mãe, que teve acesso aos exames médicos realizados pela jovem enquanto estava internada no hospital nos últimos dias.

Ainda segundo o marido, uma das paixões da jovem era frequentar as festas e os churrascos de família aos finais de semana, além de brincar com seus três cachorros e torcer para o time do São Paulo em dias de jogos. “Levaram minha companheira embora”, finaliza o marido, mostrando a foto da esposa nas mãos.