09 de julho de 2026
Bairros

Servente cai, é liberado de UPA e morre em Bauru

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Éder Azevedo

Sérgio Rosalin sofreu uma queda no dia 26 de maio (Foto: Reprodução)

A família do servente Sérgio Marcos Rosalin, 43 anos, se queixa de negligência no atendimento que ele recebeu nos últimos dias. Após sofrer uma queda no dia 26 de maio, o servente recebeu alta da UPA Ipiranga, mesmo sem poder andar e falar corretamente. Com sintomas agravados, ele deu entrada no Pronto-Socorro Central e teria ficado quase dois dias no corredor, à espera de atendimento especializado.

O caso de Sérgio está estampado em dois boletins de ocorrência, registrados por sua irmã, Sílvia Helena Rosalin dos Santos. Ela contou à reportagem que o irmão sofreu uma queda no dia 26 de maio.

“Ele mora em um cômodo aqui no Jardim Ouro Verde, perto da minha casa. Quando ele caiu e convulsionou, nós chamamos o Samu e ele foi levado à UPA do Ipiranga. Ele passou uma noite lá e na manhã do dia 27 ele recebeu alta, mesmo sem conseguir andar e falar direito. Colocaram na ficha dele que ele estava caído na rua e isso não aconteceu”, relatou Sílvia.

Os sintomas foram se agravando e a irmã acionou novamente o Samu no dia 28, que o levou diretamente para o Pronto-Socorro Central (PSC). Ela relatou que Sérgio permaneceu no corredor da unidade de saúde até a tarde do dia seguinte, quando um médico apareceu e, por insistência de Sílvia, solicitou uma tomografia. O exame acusou traumatismo cranioencefálico.

“Ele ficou internado todos esses dias na UTI do Hospital de Base, mas estava entubado. Ontem (anteontem), às 11h, o médico me

Sílvia, irmã de Sérgio, mostra o atestado de óbito

chamou para dizer que os pulmões dele não estavam funcionando mais, que ele tinha adquirido uma infecção pulmonar. Às 20h ele morreu e o corpo só foi liberado hoje (ontem), às 9h. Estamos muito decepcionadas com esse tratamento da saúde pública”, disse Sílvia.

Óbito

Apesar de o médico ter informado que a morte ocorreu por conta da infecção, na certidão de óbito consta “traumatismo cranioencefálico - instrumento contundente”, outra crítica da família. “Como eles dizem que a causa da morte foi por infecção? Está errado”, apontou a irmã do servente.

Em entrevista ao JC na tarde de ontem, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozzo Sabbag, afirmou que a pneumonia é comum em pacientes que ficam muito tempo expostos à ventilação mecânica (entubados).

“Geralmente é o motivo da internação que sai nesta certidão, mas ele pode sim ter morrido de pneumonia porque estava entubado, pelo que fui informado É comum os pacientes que ficam expostos à ventilação mecânica adquirirem pneumonia. Nós vamos pedir todas as fichas de internação dele para podermos comentar sobre o caso com mais precisão”, afirmou.

Em nota, a diretoria do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento informou que “todas as providências necessárias foram tomadas durante o período em que o paciente em questão permaneceu na Unidade de Pronto Atendimento da Vila Ipiranga e no Pronto Socorro Central”.

Sérgio foi velado ontem no Cemitério Municipal de Bauru e foi sepultado às 16h no Cemitério Municipal de Piratininga.