Rodas aro 17 ou 18, som de alta potência e estrutura mais próxima possível ao solo. Considerados imponentes e estilosos, os chamados carros rebaixados ou tunados estão cada dia mais presentes no cenário urbano de Bauru. Há quem desembolse de R$ 700,00 a R$ 3 mil somente com a troca ou modificação da suspensão, mesmo em veículos 1.0, para transformar o automóvel em uma verdadeira máquina com imagem mais esportiva e arrojada.
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Éder Azevedo |
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O mecânico André Luiz Misson con?rma crescimento do interesse de clientes por carros rebaixados |
Mas tanto preciosismo e até exagero têm custado caro para alguns motoristas na cidade, conforme aponta um levantamento do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).
Segundo a polícia, o volume de infrações a condutores de veículos rebaixados irregularmente registrou um aumento de 37% em 2013 em relação ao mesmo período de 2012.
Com um acumulado de 43 autuações, somente nos primeiros cinco meses deste ano, o número aponta que, em média, dois carros são multados por semana no município pelas fiscalizações da Polícia Militar (PM) por estarem rebaixados de maneira irregular.
Gosto é gosto
Há 30 anos trabalhando com rebaixamento de carros e mecânica em geral, André Luiz Misson, 45 anos, mais conhecido como “Bolacha”, confirma que a clientela interessada em tunar, ou seja, modificar carros, cresceu mais de 30% nos últimos anos. E o perfil dos motoristas apaixonados por rebaixados seria formado por jovens do sexo masculino de 18 a 25 anos.
“Aumentou muito a procura. É coisa de gente apaixonada por carro. Eles já chegam aqui pedindo para ‘espancar’ o veículo até o chão. Quanto mais próximo ao solo, melhor. Com certeza, o carro ganha na estética, gosto é gosto”, aponta Bolacha, medindo a altura de um Gol azul rebaixado nos últimos dias.
“A altura normal da suspensão um Gol é de 25 centímetros em relação ao solo. Esse teve as molas cortadas e está com 11 centímetros. Ele ainda não foi para inspeção, mas tem grande chance de ser barrado”, considera o mecânico. “Mas isso ainda é fichinha. Tem carro que chega a cinco centímetros do solo. Geralmente, esses não são para rodar na cidade, são só para competições”, acrescenta.
Legislação e prejuízos
Em seu artigo 98, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que “nenhum proprietário ou responsável poderá, sem prévia autorização da autoridade competente, fazer ou ordenar que sejam feitas no veículo modificações de suas características de fábrica”.
A infração por conduzir um veículo com a cor ou a característica alterada sem autorização é considerada grave e rende cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além de multa e retenção do veículo para regularização.
“Após autuado, sendo possível o condutor sanar a falha no local, o veículo será liberado. Caso contrário, o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) é recolhido e é concedido um prazo para regularização e posterior vistoria”, diz o comandante do 4º BPM-I, tenente-coronel Walter de Oliveira.
Além de ficar a pé, o dono deverá ainda pagar pelo guinchamento e a diária da estadia no pátio da Ciretran, que em Bauru, para carros de passeio e motocicletas, custa R$ 21,31.
Desde 2008, uma resolução do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) permite a troca do sistema de suspensão do automóvel desde que o proprietário comunique com antecedência o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e obtenha a autorização do delegado de trânsito da cidade após as modificações.
Obstáculos
Se por um lado eles roubam olhares por onde passam pela exuberância e beleza, por outro são vistos como vilões, principalmente por outros motoristas, que muitas vezes seguem atrás e com pressa.
“Eles andam quase parando nas ruas por causa dos obstáculos, buracos e canaletas e prejudicam o trânsito. O dia a dia já é estressante e esse tipo de situação sempre vira discussão. Além do que, os carros rebaixados ficam desestabilizados e colocam em risco a vida dos outros. Bauru está virando a terra do carro rebaixado, isso é um absurdo”, critica o comprador de materiais de construção Tony Querubim, 49 anos.
De fato, conforme explica “Bolacha”, diferentemente do que muitos pensam, somente o rebaixamento do carro não garante maior estabilidade. “Na teoria era para ser assim, mas na prática não é. Aliás, o carro não fica nada prático e ele fica mais lento. Para ganhar estabilidade é preciso alterar o motor, os freios, os pneus... Um erro comum é achar que um carro 1.0 irá andar mais e ficar mais estável se for rebaixado”, revela.
Segundo o mecânico, grande parte dos condutores que procuram o serviço opta pelo simples corte de quase todas as molas ou pela instalação de suspensão de roscas, que permitem regular a altura do veículo. Ambas as opções não permitidas pelos órgãos de trânsito.
“Sempre alertamos os proprietários sobre a possibilidade de reprova na inspeção para regularização dos carros que usam a rosca ou a suspensão a ar ou estão muito baixos, mas a maioria prefere se arriscar”, conta, frisando que a suspensão de rosca, apesar de irregular, é considerada a mais prática e também mais barata.
Inspeção
Para os casos em que a legislação permitir, o veículo deverá ser submetido a uma inspeção de segurança em órgão credenciado para aprovação e emissão de um novo Certificado de Registro (CRV) e Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV), em que constem as alterações.
Em Bauru, a inspeção veicular é realizada pelo Centro Tecnológico Mecânico S/C Ltda. (Cetem), localizado na rua Arnaldo de Jesus Carvalho Munhos, na Vila Aviação. (MT)
Volume de infrações
Em 2012, 132 condutores foram autuados em Bauru por rebaixarem seus veículos de forma irregular. Esse número é 76% maior que o montante de 2011, quando foram emitidas 75 autuações pela Polícia Militar.
Se considerado o crescimento da fiscalização da PM, 2013 deverá ser o ano com maior número de autuações desse tipo.
Fato que já preocupa as autoridades e o delegado da 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), Eliseu Costa. “O prejuízo financeiro para esses motoristas é grande, mas infelizmente ainda acontece. A legislação prevê punição apenas para os proprietários dos veículos e a Ciretran não fica sabendo dos casos que foram reprovados na inspeção”, explica o delegado.