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Reprodução/ACI Unesp |
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Em nota, a Universidade assume equívoco e entende que cumpriu Lei de Responsabilidade Fiscal |
Se a situação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) já não era uma das melhores diante da greve dos funcionários do corpo administrativo e técnico, iniciada ao final do mês passado, o problema se acentuou ainda mais com o descontentamento de um grupo de funcionários ligados à reitoria do campus, à Rádio Unesp e ao Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), nos últimos dias.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), há dois meses a instituição enviou uma carta de notificação para cerca de 90 funcionários das três unidades informando o corte de um benefício concedido durante 2012 e a devolução dos valores já recebidos. O reajuste salarial varia de 5% a 10% dependendo da função de cada trabalhador.
Conforme o JC apurou com funcionários, após um ano do reajuste, a unidade teria alegado um erro de interpretação no enquadramento das promoções, que, entre outros pontos, beneficiavam funcionários por grau de escolaridade, por exemplo. Contudo, segundo o Sintunesp, até o início da manhã de ontem, a Unesp não teria se manifestado oficialmente sobre os motivos do corte e do pedido de devolução dos valores.
“Um ano depois a unversidade resolve cortar o benefício e o prejuízo acaba no bolso do servidor”, afirma o coordenador político do Sintunesp, Alberto de Souza.
A mesma opinião é reforçada por outros dois trabalhadores do IPMet e da Rádio Unesp que conversaram com a reportagem, mas pediram para não ser identificados. “Se eles cometeram um erro, deveriam reaver o equívoco por si mesmos. Só de ressarcimento eu teria que arcar com mais de R$ 4 mil, fica complicado”, afirma o trabalhador. “O reajuste já foi incorporado ao salário. Isso vai contra a lei”, completa outra funcionária.
Ainda de acordo com o Sintunesp, a interrupção do benefício já teria ocorrido outras vezes e o sindicato está orientando os servidores em questão a não devolverem os valores e acionarem a Justiça.
Greve
O descontentamento com a situação em questão acontece em meio a uma greve deflagrada nos últimos dias.
Segundo o coordenador do Sintunesp, as unidades em Araçatuba, Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Ilha Solteira, Jaboticabal, Marília, São José do Rio Preto, Sorocaba, São José dos Campos e São Paulo já aderiram à paralisação dos servidores do corpo técnico e administrativo.
A greve teve início após os trabalhadores rejeitarem proposta de reajuste de 5,39%, em meio aos 11% reivindicados.
Também pararam os professores de Assis, Marília e do Instituto de Artes, de acordo com a Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp).
Universidade admite erro
Por meio de nota, a assessoria de comunicação da Unesp informou que, entre 2011 e 2012, a universidade proporcionou aos servidores técnicos e administrativos novos enquadramentos de carreira, com regras definidas em resoluções.
No caso em pauta, a universidade admite que houve equívoco na aplicação das regras, o que proporcionou um ganho acima do que era devido a alguns servidores. “Os valores recebidos devem ser repostos aos cofres públicos na mesma proporção e em número de parcelas de acordo com a legislação vigente. A universidade entende que foi cumprido o princípio constitucional da supremacia do interesse público e da Lei de Responsabilidade Fiscal”, conclui.