Atire a primeira pedra o pai e a mãe de adolescente que ainda não se depararam com esta situação: o casalzinho engata uma primeira no namoro, está de aliança de compromisso, a relação está fluindo e, claro, eles querem dormir sob o mesmo teto.
Pois se isso ainda não aconteceu com você, prepare-se! No amor dos tempos modernos isso é tão normal quanto o dia depois da noite. Ou nem tanto. Ainda é um espanto para os pais quando percebem que os filhos cresceram, estão namorando. E para piorar: quando descobrem que podem ter ido além da palavra ficar.
Daí começa toda aquela série de procedimentos: pílula, visita ao ginecologista, uso de camisinha, afinal, não se quer que "nossos bebês" engrossem as estatísticas e estejam na lista de gravidez precoce. Bebês gerando bebês. Isso é o que passa na cabeça dos pais. Eles mesmos esquecendo que um dia foram jovens e que seus hormônios falaram mais alto.
Mas que é um espanto, isso é. Afinal, o que se espera dos jovens na adolescência é que estudem, trabalhem, se divirtam, façam um esporte, namorem e, em penúltimo lugar da lista tenham relações sexuais, para em último, ter filhos. Só que na maioria das vezes a ordem fica toda invertida. Próximo ao Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho, o assunto entra em ebulição.
Ficar não é transar...
Isso mesmo. Por mais que alguns casais possam entender que "namorar não é apenas o conhecimento um do outro, mas também explorar o corpo, curtir as primeiras fantasias, na primeira fase da adolescência há uma diferenciação: ficar não é igual a transar. Para as mulheres, especialmente, ficar ainda é uma parada anterior ao ponto final, o casamento.
Ficar é um pré-acordo do autoconhecimento, seguido por namorar, depois casar, ou então, mais modernamente morar juntos. É quando o casal vai além de namorados, vira "namorido". Mas ficar ainda é bem menos do que isso .
É um acordo, é como se fosse um território a ser desbravado. O rapaz vai até um certo ponto. A menina permite-se um pouco mais. Mas não vai levar o companheiro para casa. E nesse caso o ato sexual, se ocorrer, demora um pouco mais.
União mais forte
Mas então, se ficar na maioria das vezes não é manter relação sexual, sem problemas do ponto de vista dos pais?
Se estão apenas se conhecendo, não há problema, certo? Resposta que permite duas interpretações: a primeira é não, não há problema na medida em que os dois estão se descobrindo. A segunda é sim, há problema, ou interferência melhor dizendo, porque não se pode chamar isso de problema. E as interferências aparecem na medida em que os casais vão avançando o sinal, e isso faz parte da sexualidade humana. E a união fica mais forte.
O assunto avança quando o casal, devidamente consciente, avança também na relação. Namoram há meses, ele chega na casa dela e é quase membro da família. Vem almoçar todos os domingos. Um passa a tarde estudando na casa do outro, as famílias se envolvem e, de repente, há um "hóspede" em casa. Quase sempre o namorado vem para ficar e... pronto! Instaura-se em casa o dilema: onde o rapaz vai dormir?