Junto ao Natal e Dia das Mães, o Dia dos Namorados está com um lugar muito lugar no coração dos comerciantes. A data, que a cada ano ganha mais apelo, está no pódio das principais eventualidades que geram trocas de presentes e, obviamente, movimentação financeira.
Em Bauru, a previsão é de vendas aquecidas, ainda mais nestes dois últimos dias para as compras de presentes de última hora até a quarta-feira, quando é celebrado o Dia dos Namorados no Brasil.
Somente entre os estabelecimentos da região central da cidade, nas lojas do Calçadão da rua Batista de Carvalho e vias transversais filiadas à Câmara de Dirigentes Logistas (CDL), a expectativa é de faturamento, no mínimo, 5% superior do que o mesmo período do ano passado.
Com as portas abertas até as 22h tanto hoje quanto amanhã, véspera do Dia dos Namorados, a projeção de vendas aquecidas é reforçada pela promoção. Em parceria com a Secretaria Municipal do Desenvolvimento e Circuito Turístico Caminhos do Centro Oeste Paulista, a entidade promove concurso cultural que premiará a 14 prêmios para casais, incluindo jantares.
Para Mairton Farias, assessor de marketing da CDL, o apelo do Dia dos Namorados cresce a cada ano.
Segundo ele, isso ocorre não apenas pela força da propaganda ou variedade comercial, mas também por fatores comportamentais. “Os jovens namoram mais e assumem compromisso mais cedo”, acredita. “Por sua vez, os casais há mais tempo juntos, inclusive os casados, também trocam homenagens”, cita.
Um dos diferenciais da data, considera, é a busca por produtos mais variados em comparação a outras ocasiões como, por exemplo, o Dia das Mães, cuja saída de eletrodomésticos ainda impera na maioria dos estabelecimentos. “É uma ocasião que movimenta todos os segmentos”, detecta.
Especialmente neste ano, enfatiza o coordenador de marketing da AD Shopping, administradora do Bauru Shopping, Américo Cardinalle, segmentos de vestuário e calçados aparecem com força. “A queda da temperatura reforçou ainda mais a procura por estes produtos”, detalha.
Para ele, o crescimento da data no ranking “emotivo/comercial” do calendário, se deve também ao maior envolvimento de casais com longa data.
“Sejam casados, namorados ou até mesmo os candidatos a esta condição, todos buscam um presente”, descontrai o representante do empreendimento, cujas lojas estão abertas até as 22h tanto hoje quanto amanhã, horário tradicional de funcionamento durante a semana no empreendimento.
Com a promoção “Caneca Mensageira”, em vigor desde o final do mês passado, em que a cada R$ 250 em compras dá direito a uma caneca especial em que é possível escrever mensagens apaixonadas para o par, o centro de compras projeta vendas 10% a mais do que o mesmo período do ano passado.
“Neste Dia dos Namorados, quem comprar, além de sair satisfeito com o presente, vai levar um brinde criativo e funcional. Nossa ideia é agradar sempre”, acentua.
Romantismo não se perde conforme o passar dos anos, endossa Mayla Amorin, gerente de marketing do Boulevard Shopping Nações, que espera faturamento 12% superior em comparação com outros dias do calendário. “Acredito que, dentro de alguns anos, a data será tão importante quanto o Dia das Mães”, aposta.
O shopping, que também tem promoção alusiva à data - em parceria com 94 FM e Claro -, realiza, até quarta-feira, a iniciativa intitulada “Tá com Saudades”?, em que os participantes ligam e enviam mensagens por meio de recadinhos gravados nas blitze da emissora e também concorrem a brindes.
Até o dia 27, a cada R$ 250 em compras o cliente concorre a um novo Prisma, zero quilômetro. As lojas também ficam abertas regularmente até as 22h.
Custo-namoro
Economista, Eliana Bussinger é autora de livros na área de Educação Financeira, salienta. “Namorar consome energia, tempo e dinheiro. Muitos relacionamentos acabam não dando certo pela carência de um ou mais desses fatores”, crava. Especialmente entre as mulheres, ela elenca alguns dos principais “custos-namoro”.
“Telefones fixo e celular, a conta aumenta e muito durante os namoros. Quinhentos minutos naquele programa especial da operadora se tornam insuficientes. Gasolina, restaurantes, até porque eles já não pagam mais a conta sozinhos”, acentua. “Jantares íntimos especiais, feitos por nós, saem em média R$ 100. Quatro por mês, lá se vão R$ 400”, calcula.
Presentes diversos, viagens, até aumento na conta de energia, são incluídos no “pacote” pela economista, citando ainda capricho maior no visual para agradar o par e, consequentemente, mais gastos. Prepare o coração, e a carteira.
Receita
Restaurante, presentes, combustível, conta telefônica... Por mais que o casal economize, as despesas inerentes ao relacionamento aparecem. O ideal, por ambos os lados, recomendam especialistas, não em terapia conjugal, mas analistas financeiros mesmo, é o bom senso de ambos os lados.
Na opinião do economista Fernando Pinho, com curso de psicologia financeira, o fato é que namorar nunca ficou muito “em conta”. “Não que o alto custo seja específico em função de um relacionamento. Em nosso País, a estrutura de preços é extremamente cara. Hoje, um bom jantar a dois não sai por menos de R$ 150”, exemplifica.
Seja para quem procura por um relacionamento, recém-enamorados ou casados de longa data, o “investimento”, descontrai o analista, é sempre o mesmo. “Presentes são importantes, da mesma forma que carinho, cordialidade e respeito”, elenca.
O preço do amor
O amor é lindo, mas o horário é comercial. Esse deve ser um dos pensamentos durante aquela conversa que começa a se esticar no celular com o par, ainda mais em começo de relacionamento. A emoção também pode afetar a razão financeira. Mas, afinal de contas, namorar realmente custa caro?
Toda moeda tem dois lados. Assim acontece nos relacionamentos ou na falta deles. Estar na condição livre leve e solta de quem ainda não encontrou a cara metade também pode machucar a conta no banco. “Para mim ficar solteiro era mais caro. Acho que namorar fica muito mais barato”, considera o vendedor Alexandre Barbosa, de 18 anos.
Recém-comprometido com a estudante de engenharia Beatriz Bondança, dois anos mais velha, o rapaz acredita que os “investimentos” são maiores na vida antes do relacionamento. “Quando se está sozinho a gente gasta mais para encontrar alguém”, argumenta. “Agora o gasto é apenas com comida e cerveja”, diverte-se.
No entanto, a vida a dois exige mais do que um bom jantar regado à “loira” de sempre. Presentes - ao menos em três datas (aniversários de namoro, do par e dia dos namorados) - que, sim, são necessários, jantares, cinema, viagens. Se, por um lado, as “aplicações” para buscar a cara metade existem. A manutenção também gera despesas.
Não que o envolvimento amoroso deva ser visto como uma transação financeira. Fosse assim, os casais buscariam conselhos apenas com analistas do mercado de capitais para os rumos do relacionamento. Contudo, colocar a intimidade na calculadora fortalece a relação e evita discussões sobre cifras e números ou, o que é pior, dívidas.
Equilíbrio
E se é verdade que os opostos se atraem, a dicotomia de personalidades pode ser interessante para equilibrar a vida financeira do casal, mesmo que ainda não tenham trocado alianças ou sequer vivam sob o mesmo teto.
“Gosto de tudo que é ligado ao setor automotivo. Ela me ajuda a segurar a mão nesses gastos”, admite o motorista Everton Carlos Possidônio, 32 anos, há pouco mais de um ano ao lado de Gabriela Fernandes de Oliveira, 20 anos.
Para eles, a postura “mão aberta” de um, se controlada pela personalidade mais austera financeiramente do par, até ajuda na relação. Contudo, a grana poupada na loja de carros ainda não teve o destino almejado ao menos por uma das metades. “Imagina que vamos aceitar que gaste tudo, nem aliança ganhei ainda!”, alfineta Gabriela.
‘Mão fechada’
Vigiar um ao outro, claro que com parcimônia, é um importante trunfo até para que o casal possa gastar em atividades divertidas para ambos. Essa é a tática que a universitária Fernanda Andreotti Monchelato, 20 anos, diz utilizar junto ao namorado para aproveitar os momentos a dois. “Ainda bem que gostamos das mesmas coisas”, celebra.
Para o economista Fernando Pinho, no entanto, a condição de mão aberta ou fechada independe do sexo. “Não existe isso do homem ser mais controlado ou da mulher segurar os gastos melhor”, observa o especialista, que estudou psicologia financeira. “Os focos são diferentes”, salienta.
O diferencial, de acordo com o Pinho, é o grau de maturidade. A regra vale para namorados ou para quem está só. “É preciso pensar sempre de maneira objetiva. Quando se trata de um casal, seja qual for a idade, o pensamento tem de ser objetivo. Se ambos não têm o bom senso, é como juntar fogo com gasolina”, ilustra.