Cerca de 50 alunos, entre meninos e meninas, vestiram saia ontem para assistir às aulas no colégio particular Bandeirantes, uma instituição tradicional da zona sul da Capital paulista. A ação foi em protesto contra preconceito de que teriam dois estudantes sido vítimas, na semana passada.
Na última quinta-feira, o aluno João Fraga, 16 anos, vestiu-se com roupas femininas para a festa junina do colégio. Segundo os estudantes, porém, João foi repreendido pelo professor de biologia Juvenal Shalch, que pediu ao aluno para que se retirasse da sala e trocasse de roupa. Posteriormente, Shalch comentou com outros colegas da turma que João confundiu a festa caipira da escola com a Parada Gay, que ocorreu no domingo retrasado em São Paulo.
O professor confirmou ter feito o comentário, mas informou que não teve a intenção de parecer preconceituoso. O professor declarou também que não esperava tamanha repercussão na imprensa. “Nós estamos, hoje, presos a ditadura do politicamente correto. Qualquer coisa que você fala sem querer é motivo de falsas interpretações”, acrescentou.
O Colégio Bandeirantes não impõe uso de uniformes e, de acordo com Emerson Bento Pereira, coordenador de Relações Institucionais, também não há qualquer tipo de restrição quanto às roupas que os alunos usam para assistir às aulas. Porém, quando, na última sexta-feira, outro aluno, Pedro Brener, 17 anos, chegou à escola usando uma saia longa em solidariedade ao colega que teria sido discriminado um dia antes, foi levado à sala do diretor da escola.