Nós, alunos do curso de Pedagogia da Uniesp/Bauru, tivemos a oportunidade de apreciar, com muito gosto, a obra de Gilberto Dimenstein: "O Cidadão de Papel", num dos componentes do currículo escolar, a saber, em Educação na Diversidade Cultural.
Como em nossa faculdade temos realizado atividades concernentes ao voluntariado, sendo este trabalho pré-requisito da instituição no desenrolar do curso, com frequência temos adquirido uma vivência ímpar sobre problemas de ordem social, econômica, psicológica, educacional, os quais são abordados e enfatizados nesta obra citada, e expostos com muita propriedade pelo autor, jornalista brasileiro renomado. O título desta obra já diz tudo: que a cidadania brasileira ainda permanece somente no papel, isto é, nas leis e não na prática diária. Temos visto esta realidade nas nossas visitas em Instituições de Caridade, ONGs e outros locais de prestação de serviços comunitários. Não queremos dizer com isto, que nesses locais falta o exercício da cidadania. Muito pelo contrário. O que temos encontrado são verdadeiros heróis da nação, pessoas que trabalham com amor e dedicação para tentar minimizar o descaso, o abandono, a falta de moradia, de lazer, de instrução enfim, de dignidade de muitas crianças e adolescentes que viviam, até então, sem a garantia de direitos previstos em lei.
Temos, como exemplo, o fato ocorrido num destes locais de abrigo para menores com a chegada de uma criança em idade precoce, de apenas dois anos de idade, cujos pais estão presos por tráfico de drogas. Os voluntários tiveram que driblar a situação de descaso e abandono da família, que sequer cuidava do asseio deste bebê, muito menos de alimentá-lo com o mínimo necessário para sua sobrevivência. Onde fica a cidadania nesta história real? Dimenstein cita que "um jeito de quebrar esse círculo tenebroso que é a pobreza, a doença, a desnutrição, o não aprendizado por consequência e o desemprego, é investir em educação". Então, nós, alunos de um curso de licenciatura, teremos em nossa profissão o encargo de educar para a cidadania, não admitimos que estas situações sejam encaradas com normalidade, ou seja: que as pessoas apenas se espantem e fiquem no conformismo.
Temos o pleno direito de exigir das autoridades um maior investimento em educação, já que somos um grupo privilegiado pelo acesso que tivemos ao estudo e, consequentemente, a estas vivências. E também porque é de direito exigirmos direitos para todos, de tal modo que, um dia (quem sabe?), a cidadania saia do papel e entre com dignidade na vida real.
alunos do curso de Pedagogia do 3.º termo matutino, Uniesp/Bauru, sob a supervisão da prof.ª Angela M. F. Carneiro