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Quioshi Goto |
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Carlos Lopes Rodrigues chora no enterro da namorada Kelly Cristina Bognar Sacoman |
A pedagoga Kelly Cristina Bognar Sacoman, 32 anos, proferiria uma palestra ontem, em Bauru. Depois, iria para Campinas fazer uma surpresa de Dia dos Namorados a Carlos Lopes Rodrigues, 38 anos. Na noite anterior, porém, a bauruense, que foi buscar seu diploma de mestrado em São Carlos, teve os planos interrompidos por, segundo a polícia, um motorista embriagado na rodovia. Imprudência que cresce mesmo com o enrijecimento da legislação.
O acidente ocorreu na noite de anteontem, na rodovia Luís Augusto de Oliveira (SP-215), na altura da cidade de Ribeirão Bonito (112 quilômetros de Bauru). De acordo com a Polícia Civil da cidade, por volta das 19h35, uma caminhonete Ford/F250 que vinha do lado oposto da via colidiu de modo transversal com o Focus guiado por Kelly. A pedagoga e mestre em linguística morreu no local.
A caminhonete pertence ao veterinário Ronaldo Alves de Toledo Lima, 62 anos. Ele fugiu do local onde a colisão ocorreu. De acordo com a polícia, pelo menos três testemunhas prestaram depoimento afirmando que o homem estava visivelmente embriagado.
Com o impacto, o carro da vítima ficou com a lateral esquerda completamente destruída. Já a caminhonete teve danos visíveis apenas no motor. Junto com Kelly, estava Lilian Gaiotto de Moraes, 28 anos, que teve ferimentos leves.
O caso foi registrado inicialmente como homicídio culposo e fuga do local do acidente. Contudo, na tarde de ontem, a delegada responsável pelo caso, Denise Gobbi Szakal, já havia alterado a tipificação. “O inquérito segue por homicídio doloso. Não que ele teve a intenção de matar, porém, assumiu o risco quando dirigiu o veículo embriagado”, afirma.
Durante toda a madrugada, a Polícia Civil de Ribeirão Bonito realizou diligências na tentativa de encontrar o condutor, mas não obteve êxito. A delegada, que ainda está ouvindo mais algumas testemunhas, não descarta pedir a prisão temporária de Ronaldo Lima.
“Dizem que alguém o ajudou a fugir do local. Estamos apurando quem foi essa pessoa. Ela pode responder também por participação de fuga do local do acidente, que é um crime menos grave”, complementa Denise Szakal.
Tristeza
O corpo da pedagoga e mestre em linguística Kelly Sacoman foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de São Carlos e liberado por volta das 9h de ontem, na presença de familiares.
Ela foi velada no começo da tarde de ontem no Centro Velatório Terra Branca, em Bauru, e, por volta das 16h30, foi sepultada no cemitério Cristo Rei. Amigos e familiares alternavam cenas de tristeza e revolta com a tragédia.
“Esse motorista é um assassino”, disse Carlos Rodrigues, namorado de Kelly. Bastante abatido, ele relembrou: “Ela iria me ver em Campinas, onde eu moro. Ia me fazer uma surpresa e passar o Dia dos Namorados comigo”.
Recém-aprovada em concurso, vítima começaria o doutorado
No enterro de Kelly Cristina Bognar Sacoman, a impressão é que a dor da perda se potencializava justamente pelos sonhos que foram interrompidos. A pedagoga havia sido aprovada recentemente em um concurso para ser professora em Cabrália Paulista e foi buscar seu diploma de mestre em São Carlos justamente para a contratação.
Além dessa aprovação, o sonho acadêmico já tinha os próximos passos programados. Kelly começaria o doutorado, em Campinas, no final deste ano. “Estava tudo dando certo. Ela estava tão feliz”, lamenta o namorado Carlos Lopes Rodrigues. Namorado que já era praticamente noivo. Carlos e Kelly estavam juntos há nove anos, quando se conheceram em um ônibus. Tragicamente, foi também na estrada que a história de amor teve um ponto final.
“O que não dá para aceitar é que quem fez isso estava embriagado. Disseram que ele (o motorista) não conseguia parar em pé. E ela estava tão feliz”, repetia, emocionado, Carlos Henrique.
‘Foi tudo em segundos’, conta passageira
Lilian Gaiotto de Moraes, 28 anos, conheceu Kelly em 2007, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), na graduação de licenciatura em pedagogia. O curso acabou, mas a amizade das duas não. E era Lilian que estava com Kelly no momento do acidente.
“Ela pediu para eu acompanhá-la. Justamente para ela não ir sozinha”, conta a amiga. Kelly havia ido buscar o diploma de mestrado da Universidade Federal de São Carlos (UFScar). Foi na volta que o acidente ocorreu.
“Foi tudo em segundos. Ela estava dirigindo certinho. Quando vi, o carro já estava em cima de nós. Não consegui enxergar mais nada”, relembra.
A passageira foi conduzida ao Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa de Misericórdia, em Ribeirão Bonito. Apesar da forte batida, na manhã de ontem, ela teve alta.
A breve entrevista foi interrompida com a chegada do caixão lacrado ao cemitério. “Quero ajudar a segurar. Preciso ajudar”, disse Lilian Gaiotto.
'Foi tudo em segundos. Quando vi, o carro já estava em cima de nós.'
Lilian Gaiotto, passageira do Focus
'Ela ia fazer doutorado. Estava tudo dando certo. Ela estava tão feliz'
Carlos Rodrigues, namorado da vítima
'O motorista assumiu o risco de matar quando dirigiu embriagado'
Denise Gobbi Szakal, delegada
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