09 de julho de 2026
Nacional

Grupo que invadiu a Funai marcha pela Esplanada

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A maior parte do grupo de 150 indígenas que invadiu ontem a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília, marcharam ontem pela Esplanada até Ministério de Minas e Energia.

No começo da tarde, eles saíram da sede da Funai e foram até o ministério. Do lado de fora, parte deles se deitou na rua e teve os contornos de seus corpos pintados com tinta, simulando as marcações feitas por peritos em cenas de assassinatos.

A marcha até o ministério teve como principal alvo de protestos a construção de usinas na Amazônia. Os mundurucus serão afetados por um conjunto de cinco hidrelétricas a serem erguidas no rio Tapajós, no oeste do Pará, e dizem que a Constituição dá a eles poder de veto sobre os projetos.

Mesmo não estando entre os afetados diretos, os índios têm participado, também, das invasões a outra megahidrelétrica já em construção - Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, cujo processo de licenciamento, já terminado, também não deu suficiente voz às etnias afetadas, argumentam.

A Funai informou que “formalizou a solicitação, junto ao Ministério da Defesa, para o deslocamento dos indígenas de volta ao seu Estado na quarta-feira (hoje)”. “Hoje (ontem) pela manhã, os indígenas não permitiram a entrada dos servidores na Funai. Entretanto, não apresentaram ao órgão pauta específica com reivindicações. Desde as 9h desta terça, a Funai mantêm uma equipe de diálogo (...) a fim de dialogar pacificamente com os indígenas, solicitar a desocupação do prédio e, novamente, os convidar para aguardar o retorno em local adequado.”

Na cidade desde a terça-feira da semana passada, o grupo é composto majoritariamente de índios mundurucus, mas conta com pessoas das etnias xipaia, arara e caiapó. Por enquanto, eles irão continuar no prédio, de forma pacífica, com apoio de parte dos funcionários do órgão indigenista.

O governo afirma que vai ouvi-los, mas que as obras sairão mesmo que eles não queiram.