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João Rosan |
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Hoje, na Getúlio, motoristas podem ser multados e ter o veículo guinchado após meia-noite |
O horário de permissão para estacionamento na avenida Getúlio Vargas poderá ser estendido até a 1h no sentido bairro-Centro. A possibilidade será discutida hoje, entre comerciantes, moradores, poder público e Polícia Militar (PM), durante reunião com membros do Conselho Comunitário de Segurança Pública (Conseg) Centro-Sul de Bauru.
Os comerciantes, favoráveis à ampliação, já haviam debatido o assunto com o prefeito Rodrigo Agostinho e a PM há algumas semanas. Agora, a ideia é chegar a um acordo com os moradores, contrários à mudança.
Atualmente, os motoristas podem ser multados e ter o carro guinchado se pararem na avenida, no sentido bairro-Centro, após a meia-noite, em qualquer dia da semana. De segunda a sábado, o estacionamento volta a ser permitido a partir das 6h e, nos domingos e feriados, ao meio-dia.
A proposta dos comerciantes é implantar a extensão de horário até a 1h em caráter experimental, pelo período de um mês. “Se nenhum transtorno para os moradores fosse registrado, a ideia seria aumentar a permissão de estacionamento para as 2h. Caso contrário, recuaria para o horário atual”, adianta o vice-presidente do Conseg Centro/Sul, Olavo Pelegrina.
Há alguns anos, o estacionamento na Getúlio Vargas foi proibido durante o período da madrugada com o objetivo de evitar que veículos permaneçam no local com som alto e que pessoas consumam bebidas alcoólicas ou pratiquem crimes em frente aos estabelecimentos comerciais.
Como resultado, os frequentadores de bares e casas noturnas se viram obrigados a estacionar seus carros nas ruas das imediações, nem sempre muito bem iluminadas e quase sempre ermas, palco propício para a ação de criminosos.
Retrocesso
Para os comerciantes, esta restrição tem provocado transtornos aos negócios, conforme revela Pelegrina. Em contrapartida, ele afirma que os moradores temem que a extensão de horário represente um retrocesso quanto à perturbação do sossego público.
“A proibição de estacionamento se mostrou um instrumento eficaz para coibir carros com som alto, consumo de bebidas e confusões na avenida. E as pessoas que vivem na região temem que estes problemas antigos sejam retomados”, pontua o vice-presidente do Conseg.
De acordo com ele, a reunião de hoje, marcada para as 9h na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), terá como objetivo alinhavar uma saída “tecnicamente planejada” para o impasse. Para o debate, estão convidados o prefeito Rodrigo Agostinho, o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli, autoridades das polícias Civil e Militar, comerciantes e moradores da zona sul, além de membros do Conseg Centro/Sul.
Caso houver ajuste entre as partes para ampliar o horário de estacionamento, mesmo que em caráter experimental, caberá à administração municipal regulamentar a mudança e substituir as placas de sinalização ao longo da via.
Sobrecarga
Embora a Polícia Militar (PM) afirme que estará preparada para atuar de acordo com o que ficar definido na reunião, uma eventual retomada de ocorrências de perturbação de sossego público na avenida Getúlio Vargas poderá sobrecarregar o efetivo. É o que afirma o tenente José Sérgio de Souza, comandante do Pelotão de Trânsito da PM em Bauru.
“Para a Polícia Militar, seria melhor deixar do jeito que está. Mas, se for decidido estender até a 1h ou 2h da madrugada, teremos de permanecer mais tempo naquela região especificamente para atender as ocorrências de perturbação de sossego, em vez de concentrar nosso trabalho, por exemplo, no combate a roubos e furtos”, pondera.
Mortes no trânsito também estarão em discussão hoje
O elevado número de pessoas mortas no trânsito em Bauru, neste ano, também será discutido hoje na reunião do Conseg Centro/Sul. Segundo o vice-presidente do órgão, Olavo Pelegrina, a PM e o poder público, em conjunto com a sociedade, precisam encontrar soluções.
De acordo com estatísticas da PM, dez pessoas morreram em acidentes registrados dentro do perímetro urbano de Bauru, entre janeiro e maio de 2013. O mesmo número foi registrado no ano passado. Para o tenente José Sérgio de Souza, comandante do Pelotão de Trânsito da PM, a manutenção do volume de mortes é resultado direto do aumento da frota em Bauru e não da ausência de fiscalização por parte da corporação. “Em todos os finais de semana, realizamos bloqueios noturnos. Intensificamos nosso trabalho e o número de autuações, por consequência, aumentou.”
Nos cinco primeiros meses do ano passado, 90 motoristas foram autuados por dirigir embriagados no perímetro urbano de Bauru. No mesmo período do ano passado, o número mais que dobrou, quando 194 condutores foram autuados pela PM.
Destes, 48 foram encaminhados ao Plantão Policial após o teste do bafômetro apontar concentração acima de 0,34 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões, o que configura crime. A pena é de seis meses a três anos de detenção, multa e suspensão temporária ou proibição definitiva do direito de dirigir. A partir de 0,05 miligramas de álcool por litro de ar, no entanto, o motorista já fica sujeito a multa.