A mudança de endereço da Câmara de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), que deve ocorrer nos próximos dias, está gerando polêmica entre os vereadores. O presidente da Casa, Humberto José Pita (PR), o Dr. Pita, que contou com o apoio da Mesa Diretora, alega que o espaço atual, locado por R$ 7 mil mensais, está precário e não tem acessibilidade. No novo prédio, o aluguel custará R$ 11,5 mil, valor considerado muito elevado por alguns parlamentares. Na última sessão, o assunto gerou bate-boca (leia mais abaixo).
De acordo com Pita, a mudança foi necessária em razão da situação do imóvel onde hoje está instalado o Legislativo. “O prédio atual onde está a Câmara tem 30 anos de idade, é residencial, não tem acessibilidade nenhuma, nem nos banheiros, chove por todos os cômodos, os móveis, o arquivo e a CPD (Central de Processamento de Dados) estão todos em lugares impróprios, sem ventilação”, afirma. O aluguel atual de R$ 7 mil inclui, além do prédio, a sala onde funciona o arquivo.
O presidente conta que o novo espaço, que será ocupado em, no máximo, 15 dias, irá custar por mês de aluguel aos cofres públicos R$ 11,5 mil. Inicialmente, o valor do aluguel estava previsto em R$ 10 mil, mas o acréscimo ocorreu, de acordo com Pita, em razão da instalação de aparelhos novos de ar-condicionado em todas as salas da nova sede. “É um prédio de três pavimentos, totalmente acessível, com elevador, moderno e que nunca foi habitado”, diz.
Segundo ele, no primeiro andar, irá funcionar a recepção, o arquivo e sala verde com dois computadores. Os funcionários da Casa vão trabalhar no pavimento intermediário. Já os gabinetes dos parlamentares serão instalados no último andar. Ele revela ainda que o espaço contará com sistema de câmeras de vigilância 24 horas, com imagens disponibilizadas pela Internet, e computadores novos para os parlamentares e funcionários.
O vereador pontua que a mudança de endereço é ato exclusivo da Mesa Diretora, composta por ele, pelo vice-presidente Jonadabe José de Sousa (PSC), o Jonas; pelo primeiro secretário Manoel dos Santos Silva (PSDB), o Manezinho; e pelo segundo secretário Anderson Prado de Lima (PV), o Prado, e alega que respeita as críticas dos demais parlamentares. “A democracia permite isso”, declara. “Todos os que se manifestaram de maneira contrária nem ao prédio foram”.
Dinheiro em caixa
Questionado pela reportagem sobre o impacto da mudança de endereço nos cofres da Câmara, o presidente garantiu que o orçamento atual permite esse gasto. “Em maio do ano passado, o presidente solicitou uma suplementação de verba de R$ 320 mil. Hoje, a Câmara tem R$ 350 mil em caixa de economia. Isso é para mostrar o quanto nós estamos economizando só de cortar gastos excessivos e demitir funcionários”, afirma.
“Nós temos em torno de R$ 302 mil por mês de orçamento e estamos gastando menos de 50% com folha e outros gastos e guardando dinheiro para o 13º”. De acordo com Pita, imóveis foram locados em Lençóis Paulista para duas instituições bancárias por R$ 18 mil por mês. Porém, ele não soube informar quantos metros quadrados possuem os referidos imóveis e quantos metros quadrados possui a futura sede do Legislativo.
Durante sessão da Câmara realizada na segunda-feira, o vereador Manezinho disse na tribuna que “mudou de ideia” e se arrependeu de ter assinado ato da Mesa que permitiu a assinatura do contrato de aluguel do novo prédio após descobrir os valores que seriam pagos e ser cobrado pela população. “Vários vereadores, até nas gestões passadas, voltaram atrás nas suas opiniões”, declarou.
O discurso do presidente do Legislativo foi marcado pela defesa do progresso. “Desde o dia 2 de janeiro eu, pessoalmente, assumi que ia locar o prédio. Eu assumi porque acredito no progresso”, afirmou. “O administrador deve ter uma visão de empreendedor, deve ser versátil, deve ver e sentir o presente olhando para o futuro”.
Pita deu um “cutucão” em alguns colegas contrários à mudança declarando que uma viagem recente de três parlamentares – Manezinho, Jonas e José Aparecido Santana (PSDB), o Dodô – a Brasília, que durou três dias, custou aos cofres da Casa o total de R$ 4.556,00, “quase metade do aluguel”, de acordo com ele. A insinuação irritou Dodô, que foi tirar satisfações com o presidente ao final da sessão e acabou contido por outros vereadores. “Eu fui porque o senhor mandou”, disparou.
Pita alegou ainda que foi apresentado ao dono do imóvel por Manezinho e que o tucano tinha conhecimento do valor do aluguel desde janeiro deste ano. O vereador negou a informação e disse que não acompanhou o processo de negociação de valores. A reportagem telefonou várias vezes para o celular de Manezinho, mas ele não atendeu as ligações.
Vereador discorda da mudança
O vereador Ailton Aparecido Tipo Laurindo (PV), o Tipó, disse que respeita a decisão da Mesa Diretora, mas não concorda por considerá-la apressada. “Entendo que não é o momento porque ainda a população olha com desconfiança a Câmara em função da imagem péssima que a outra legislatura deixou”, afirma.
“Gostaria que esperasse, recuperasse a credibilidade e a imagem da Câmara e, num segundo momento, quando a Câmara economizar bastante dinheiro, quando a Câmara já tiver rompido todos os contratos e demitido todos aqueles assessores de altíssimos salários, a gente vai, senta, conversa e discute isso com a opinião pública”.