Anunciado em fevereiro de 2011, mas emperrado principalmente por dificuldades da Prefeitura de Bauru em definir o local para a instalação do restaurante, o Bom Prato, finalmente, vai sair do papel na cidade. O convênio entre o município, o Estado e a entidade que vai gerenciar o programa foi assinado na última terça-feira, em São Paulo.
A unidade vai funcionar na rua Primeiro de Agosto, nº 9-47, no Centro de Bauru. Serão servidos, diariamente, 300 cafés da manhã e 1.200 almoços.
O restaurante vai oferecer, no café da manhã, leite com café ou achocolatado; pão com manteiga, requeijão ou frios e uma fruta da estação pelo preço de R$ 0,50. O almoço também é completo, balanceado e com cardápio desenvolvido por nutricionistas. Contém arroz, feijão, carne, legume, salada, suco e sobremesa. Para isso, o munícipe terá de desembolsar apenas R$ 1,00.
O investimento total para a instalação do Bom Prato em Bauru é de R$ 2.195.360,00. Desse montante, o Estado investirá R$ 1.636.160,00. Com o recurso, será financiado o subsídio da alimentação (R$2,00 por almoço de adulto e R$ 3,00 por criança com até 6 anos, além de R$ 0,80 por café da manhã).
Os R$ 559.200,00 restantes serão recursos da Prefeitura, para subsídio de R$1,00 por refeição. Para adequação do imóvel e aquisição de equipamentos, a Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social também vai oferecer R$ 350 mil.
A unidade também receberá um posto do Acessa São Paulo (parceria com a Secretaria de Estado de Gestão Pública para internet gratuita) e cursos do Via Rápida Emprego (da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciências e Tecnologia).
A entidade Programas de Integração e Assistência à Criança e Adolescente (Aelesab) é quem vai gerenciar o Bom Prato no município. O chamamento público para essa escolha foi outro fator que incidiu no atraso para a implantação do programa, pois foi alvo de questionamento de concorrentes.
Com prazo
O secretário estadual de Desenvolvimento Social, Rogério Hamam, recebeu, na última terça-feira, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para assinatura de convênio. Participaram do ato a presidente Aelesab, Eliana de Britto; a diretora regional da secretaria, Maria Moreno Perroni; e o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que comemorou a chegada do programa em Bauru em seu site oficial. “Demorou, mas, enfim, a cidade terá seu Bom Prato”.
Rogério Hamam estabeleceu o mês de setembro como prazo para a inauguração do restaurante popular.
“A Secretaria de Desenvolvimento Social, a pedido do governado Geraldo Alckmin, irá acelerar a expansão do Bom Prato na cidade. Por isso, peço a colaboração de vocês para que até o final de setembro aconteça a inauguração do restaurante em Bauru”, disse Hamam, se dirigindo ao prefeito e à presidente da entidade.
O secretário adjunto, Henrique Almirates Jr, e o deputado Pedro Tobias assinaram o convênio como testemunhas. “Bauru merecia o Bom Prato. Estamos certos que a parceria entre a prefeitura e a entidade gestora fará com que o programa seja vitorioso na cidade”, afirmou Almirates.
Convite
O prefeito Rodrigo Agostinho aproveitou a ocasião para convidar o secretário a participar da tradicional Festa do Bauru, que acontece em agosto durante as festividades de aniversário da cidade.
“Os sanduíches são preparados pelas entidades assistenciais da cidade, que dividem a renda da comercialização entre elas. Além de divulgar o famoso sanduíche, as entidades têm como reforçar o caixa para custeio das despesas administrativas, que hoje são bem altas”, explicou.
O programa
Bom Prato é um programa de segurança alimentar da Secretaria de Desenvolvimento Social. Seu objetivo é ofertar alimentação balanceada e de qualidade a baixo custo, atendendo principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Atualmente são 39 unidades instaladas na Capital, Região Metropolitana, litoral e interior paulista, totalizando mais de 65,7 mil refeições servidas por dia. Bauru será a décima quarta.
Por que no Centro?
Inicialmente programado para a periferia, havia o temor de que o Bom Prato instalado no Centro correria o risco de não cumprir o objetivo de atingir as parcelas mais pobres da população. Isso porque a fila do restaurante popular poderia ser ‘invadida’ por trabalhadores do comércio que não têm a necessidade de pagar R$ 1,00 por refeição.
No entanto, na Vila Nova Esperança, o programa poderia não atingir o número de 1.200 refeições, além de não se tornar mais democrático, ficando restrito a um único eixo.
A secretária municipal do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo, defende a instalação do Bom Prato no Centro, alegando que milhares de famílias pobres circulam pela região diariamente, muitas vezes para retirarem os benefícios sociais oferecidos pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
“Além disso, não acredito que as pessoas com condições de pagar um pouco mais vão enfrentar as filas do Bom Prato, que não serão curtas. Afinal, serão 1.200 refeições por dia”.
O restaurante popular, que oferecerá cardápio variado, nutritivo e saudável, também servirá café da manhã. O programa funcionará de segunda à sexta-feira, a partir das 10h30.