09 de julho de 2026
Ser

ENTREVISTA - Susana Vieira

Márcio Mello
| Tempo de leitura: 7 min

Uma entrevista com Susana Vieira é sempre uma diversão. Como ela mesma diz, a idade permite a sinceridade. E bota sinceridade nisso! "Eu sou popular. Vou para a academia, ao supermercado, nas festas da Rocinha, sou madrinha da Parada Gay, sou da Grande Rio...", enumera a atriz, para logo depois contar que, recentemente, pegou uma van no Rio de Janeiro porque o táxi demorava a passar.

Sem modéstia, dispara ainda que "quando eu entro na Globo sempre é um sucesso" e ri de si mesma. Assim é Susana Vieira, a Pilar de "Amor à Vida", personagem que ela define como uma mãezona. "Eu sou parecida com ela no sentido de também ser uma mãezona, de ter esta alegria de viver e a mania de querer que tudo termine bem. Acho que é o instinto maternal. Qual é a mulher que não quer viver em harmonia com a família? Quando existem brigas familiares, a primeira a botar panos quentes é a mãe", confessa Susana.

Já com relação ao filho gay na novela Susana entrega que Pilar vai protegê-lo sempre, mas que não sabe como será sua reação ao descobrir sua crueldade.


Como é voltar às novelas vivendo uma mãe protetora de um filho gay?

Susana Vieira - Eu vou amar meu filho gay porque qualquer mãe ama seu filho gay. E vou ter a mesma admiração que todas as mães de gays têm. E ela está sempre do lado dele apesar do Félix (Mateus Solano) ser cruel. Agora, vai ter um dia que ela vai descobrir que ele é cruel. Ou não. Tudo pode acontecer em uma novela. E acho que novela é isso. Acho que o Walcyr (Carrasco) pegou mais pesado no drama, e isso me satisfaz.

Comédia, a Globo tem desde a manhã com o Louro José. A Fátima (Bernardes) também tem sempre uma coisa de alegria. Os programas de domingo são de alegria, de riso. Então, eu acho que o Walcyr fez uma coisa mais para se pensar. Até porque você não vê nenhuma comédia ganhando Oscar. Você vê drama, bons atores, roupas maravilhosas, maquiagem moderna, mas com muito texto e muito sentimento. Isso é lindo. Não acho obrigatório rir. Não precisa. Vamos chorar um pouco? Porque chorar é lindo.

Você acha que toda mãe ama o filho gay? Há uma aceitação maior por parte da mãe, se comparado ao pai?

Susana - A Pilar ama o Félix. E não existe mãe que não goste de filho gay. Me apresenta uma? Todas as mães de gay apoiam e aceitam o filho. Elas entendem o que eles passam e sofrem junto com o preconceito. De certa maneira, acho que as mães são egoístas. Quando o filho é gay, ele fica com a mãe. Quando a mãe tem uma nora, se sente um pouco ameaçada (risos).

O que você tem de parecido com a personagem?

Susana - Ser uma mãezona e uma alegria de viver, e a mania de querer que tudo termine bem, ficar tudo em harmonia. Acho que é o instinto maternal, instinto de mulher. Qual é a mulher que não quer viver em harmonia com a família? Quando existem brigas familiares, a primeira pessoa a botar panos quentes é a mãe. Eu sempre espero o personagem entrar em mim. E ela ainda está entrando, bem devagar... A gestação da Pilar começou em março, em São Paulo, depois em abril, no Peru, e agora no Projac.

Inicialmente a trama seria "Em Nome do Pai" e trocou para "Amor à Vida". Você gostou do título final?

Susana - Eu achava lindo "Em Nome do Pai" porque parece em nome do pai, do filho, do Espírito Santo; em nome do pai da criança, eu achava muito bonito. "Amor à Vida" parece comum, mas ficou bonito também. Acho que qualquer título ficaria bem nessa novela. Foi o título que eles colocaram. Ninguém me perguntou. Se tivessem me perguntado, eu botava outro. A Globo não precisa pedir por favor pra ninguém assistir a nada. A Globo por si só já é um evento. A novela "Amor à Vida" será mais um evento nas nossas carreiras.

Em "Amor à Vida" mais uma vez você faz par romântico com Antônio Fagundes. Como é reencontrá-lo?

Susana - O meu amor pelo Antônio Fagundes vem da novela "Por Amor". Já cansei de chamar o Fagundes de Atílio (risos). Além do Fagundes, tem o Maurinho (Mauro Mendonça Filho, diretor) que é amigo de infância do meu filho. Uma das coisas mais emocionantes nessa história é que eles brincavam juntos e a Rosinha (Rosamaria Murtinho), minha amiga há 48 anos, quando a gente se encontrou agora, eu e Rosinha, vivas, com garra, trabalhando, foi uma delícia. E aquele menino que brincava na minha casa sendo nosso diretor, muito bom diretor, foi uma grande emoção para mim. E trabalhar com Wolf (Maya), meu irmão, ele é entusiasmado, a gente ri muito, é sempre um prazer.

Você foi com boa parte do elenco gravar as primeiras cenas da trama no Peru. Fale um pouco de como foi a experiência da viagem...

Susana - Quando eu entro na Globo sempre é um sucesso. Eu sou muito conhecida no Peru porque já morei lá a trabalho. Fiz uma peça de teatro chamada "A Sucessora", baseada na novela. E depois fui com Glória Pires fazer Miss Peru. Eu e Fagundes no Peru somos tipo Brad Pitt e Angelina Jolie (risos). Eles tratam a gente de senhor, de senhora. É muito lindo. E eu adoro aquele povo. Acho que é um país que está caindo exatamente na mesma armadilha da América Latina: todos copiando aquele Chávez (Hugo Chávez) que já foi, mas continua.

Você é uma mulher carismática, extremamente popular, cheia de vida. De onde vem toda essa jovialidade?

Susana - Acho que o segredo é estar com gente jovem e alegre por perto. Porque também gente jovem triste não adianta. Gente velha triste, muito menos (risos). Cachorro, natureza, neto, saúde, água para beber... Acho que eu cheguei numa idade em que tenho sinceridade. Estou presente na Globo trabalhando, pago meus impostos, sou uma mulher correta, digna, tenho netos, então eu não tenho por que ficar fazendo a boazinha ou tímida. Ou que eu não tenho uma postura, uma posição. Eu tenho uma posição perante a vida, tenho uma posição perante os meus direitos e perante os direitos dos outros e as pessoas veem isso. Eu sou popular. Vou para a academia, ao supermercado, nas festas da Rocinha - sou Mamãe Noel da Rocinha, sou madrinha da Parada Gay, sou da Grande Rio. Eu tenho contato com o público diariamente. Eu falo com o motorista de táxi. Outro dia tomei uma van. Eu estava horas esperando um táxi para ir ao cabeleireiro. Aí o cara passou e falou: "E aí, Susana, pra onde é que tu vai? Entra aqui!?. Foi show, eu dei uma nota de dez, ele me deu troco de 20 Eu falei: "Cara, é três reais, você tem que me dar 7 de troco". Foi muito bom, foi ótimo, maravilhoso.

É verdade que você pensa em lançar um livro para comemorar os seus 50 anos de carreira?

Susana - Vou escrever um livro com Mauro Alencar e irei fazer um filme sobre a minha biografia. Então é sinal que estou dando muito caldo ainda. São 50 anos de TV brasileira. O Mauro é um expert em novelas e o livro vai sair pela Editora Globo. Já o filme é outra coisa, é outra pessoa de São Paulo. É como se fosse um documentário.

Qual o segredo para manter as medidas no lugar? Muito exercício físico? Fazer atividade física é um prazer ou vai para a academia por obrigação?

Susana - Exercício eu odeio, mas faço todos. Se o segredo para manter a jovialidade é o exercício, eu vou com ódio para a academia. Eu vou porque preciso. Se for possível, vou todos os dias. Faço esteira, uma hora de musculação, alongamento, RPG. E adoro dançar em uma discoteca ou em um baile funk. Não faço restrição de comida. Adoro pão de queijo. Se eu engordo, vou pra esteira.

Estava sentindo falta de fazer novela?

Susana - Sentindo falta de fazer novela, não. Sentindo falta de trabalhar todo dia. Mas como a Globo me chamava para toda a programação, eu praticamente gravei todo dia. Ana Maria, duas; Fátima Bernardes, duas; Angélica, duas. Você vai somando, no fim dá uma novela. Gosto de trabalhar, de estar cercada por bons profissionais. As melhores atrizes para mim são aquelas mais entregues, as mais loucas, eu diria (risos). Então as melhores para mim são Renata Sorrah, Cássia Kiss e agora eu ponho a Adriana Esteves nessa lista. Eu teria loucura para contracenar com qualquer uma delas.