A queda de 19% no ano do principal índice da Bolsa brasileira preocupa os investidores de ações - especialmente os pequenos, com menos acesso que os grandes a dados econômicos e sobre a situação financeira de empresas para basear suas apostas.
Diante do mau desempenho do mercado acionário local - que acumula a maior queda em 2013 entre dez países emergentes, como México, Rússia e África do Sul -, é preciso manter o sangue frio para evitar prejuízo.
Isso porque só perde dinheiro efetivamente quem vende uma ação por um preço menor do que o pago na compra. Assim, mesmo que o papel se desvalorize na Bolsa, se for mantido pelo investidor, não haverá prejuízo.
Além disso, com o tempo, a ação pode voltar a subir, com possibilidade de lucro para o aplicador caso seja vendida na alta, a um valor maior que o de compra.
“A Bolsa tem de ser vista como um investimento de longo prazo - pelo menos três anos”, afirma o educador financeiro Mauro Calil. “Em um período longo, as ações podem se recuperar de eventuais perdas pelo caminho”.Para quem quer entrar na Bolsa, o nível baixo atual pode ser visto como uma boa oportunidade, com ações baratas e, portanto, com potencial de valorização. O investidor precisa avaliar, porém, se tem perfil para suportar as oscilações do mercado.
Pós-fixado
Quando o investidor compra um título prefixado no Tesouro Direto, recebe, no vencimento, um rendimento predeterminado.
No caso de venda antes do prazo, porém, o preço do papel sofre um desconto que acompanha as taxas futuras de juros. Assim, quanto maiores essas taxas, que refletem as apostas de mercado sobre o juro básico do país (taxa Selic), maior o desconto no valor do título. O preço de revenda, portanto, cai.
O contrário também vale. Quanto mais baixas as taxas de juros, menor o desconto.
É importante destacar que, se o investidor permanece com o papel até o vencimento, recebe a rentabilidade combinada na compra.
O Tesouro permite que as negociações sejam feitas entre as 9h das quartas e as 5h das quintas-feiras. Especialistas destacam que, como o cenário atual é de aumento do juro básico, hoje em 8% ao ano, quem comprou um título prefixado com a Selic menor está ganhando menos dinheiro.
O ideal, dizem, é investir em papéis pós-fixados, cujo rendimento não é definido no momento da compra. Eles acompanham um determinado índice, como o IPCA (a inflação oficial) ou a própria Selic. O planejador financeiro Valter Police afirma que, mesmo no título prefixado, há a possibilidade de perda real, se a inflação no período for maior do que o percentual de remuneração do título. “No papel prefixado, você sabe quanto vai ganhar, mas não sabe se esse retorno será bom ou ruim”, diz.
Já a rentabilidade do pós-fixado é influenciada positivamente conforme a taxa Selic sobe, pois o valor do título é determinado pelo juro somado a seu indexador ou pela própria taxa básica, como no caso das LFT (Letras Financeiras do Tesouro).
Police ressalta, porém, que os títulos pós-fixados são mais seguros, mas costumam ter rendimento menor que o dos prefixados. Ele diz ainda que, antes de pensar em vender os títulos porque o valor caiu, o investidor deve se ater aos objetivos que tinha quando fez a aplicação.
Vale lembrar que há custos que podem corroer os ganhos, dependendo do prazo em que o dinheiro fica aplicado.
Tesouro volta a render acima de 10% ao ano
Depois de um ano, os títulos públicos vendidos via internet - modalidade chamada de Tesouro Direto- voltaram a oferecer ao investidor remuneração acima de 10%.
Os ganhos haviam caído devido à política de corte de juros do governo. É que o desempenho dos papéis acompanha o juro básico, a taxa Selic, que, em outubro de 2012, chegou a 7,25% ao ano, a mínima histórica e que durou até abril deste ano. Com a retomada dos aumentos da Selic para conter a inflação -os juros subiram gradativamente até os atuais 8% ao ano e há perspectiva de mais elevação nos próximos meses-, os títulos do Tesouro Direto voltaram a render dois dígitos.
Entre os papéis prefixados, cuja rentabilidade é definida no momento da compra, a chamada NTN-F (Nota do Tesouro Nacional Série F - veja glossário nesta página) com vencimento em 2023 oferecia rendimento de 10,75% ao ano, para quem comprava na última sexta-feira.
Esse patamar não era alcançado desde junho de 2012.
Na avaliação de especialistas, o nível de rendimento dos títulos públicos não deve subir muito além do atual no curto prazo porque a taxa Selic, embora em tendência de alta, não deve voltar a patamares de anos anteriores, em dois dígitos. Estimativas de economistas consultados na última pesquisa do Banco Central apontam o juro básico em 8,75% ao ano no fim de 2013 até dezembro de 2014.
“O fato é que a renda fixa não rende mais o que rendia no passado. Nos últimos meses, a maioria dos investimentos de renda fixa perdeu para a inflação. É preciso garimpar por rentabilidade”, diz Aline Rabelo, coordenadora do Investmania, rede social de investidores.
Cuidados
É importante destacar que, no caso do título prefixado, cujo desempenho é estabelecido no momento da aquisição, o investidor que compra o papel agora deixa de aproveitar o cenário de aumento de juros no futuro.
O aplicador pode ainda perder dinheiro se vender o papel antes do vencimento.
Isso porque, nessa negociação, é feito um desconto definido em razão da Selic do momento. Ou seja, quanto mais alta a Selic, maior será o desconto no preço do título na venda antes do prazo.