Após mais uma noite de protestos violentos, o governo da Turquia ameaçou, nesta segunda-feira (17), usar o Exército para impedir manifestações em Istambul e em outras partes da Turquia. Segundo a Anistia Internacional, mais de cem pessoas foram presas nas últimas 24 horas em atos contra o governo.
Sindicalistas e outras entidades, no entanto, afirmam que o número é maior. O Conselho de Advogados turco afirma que 500 pessoas foram presas, sendo cerca de 400 em Istambul e o resto na capital Ancara. O governo não deu estimativas de presos na ação.
Segundo o jornal local "Hürriyet", os manifestantes presos em Istambul foram levados à região da praça Taksim, onde foram colocados em ônibus da polícia. A Anistia Internacional ainda pediu que o governo turco permita que os presos possam se comunicar com familiares e pedir a presença de advogados.
Em entrevista hoje, o vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, disse que a onda de protestos é ilegal e que o governo usará todos os meios para dissolver os protestos. "Para isso, existe a polícia e, se não for suficiente, podemos usar a Guarda Nacional. Se ainda não bastar, temos as Forças Armadas. A lei nos dá essa autoridade."
Questionado sobre a atuação policial, o vice-chefe de governo disse que os agentes usarão toda a autoridade que eles têm à disposição e afirmou que quem critica os atos são responsáveis por atos de vandalismo. Ele também defendeu o início de ações judiciais contra as lideranças do protestos.
Hoje, os principais sindicatos do país preparam um dia de greve geral, que pretende paralisar as atividades do governo. Dentre as categorias que deverão aderir, estão os funcionários públicos, os médicos, os engenheiros e os advogados.
A intenção dos organizadores é juntar milhares de pessoas no local, como uma reação ao ato convocado pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, com militantes do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no domingo.
Para o ministro do Interior, Muammer Güller, a greve é ilegal e deve ser reprimida. "As forças de segurança não permitirão uma greve. Usaremos nossas forças para tirar as pessoas das ruas em caso de ações ilegais como essa."
Merkel
Mais cedo, a chanceler alemã Angela Merkel disse que a repressão das manifestações contra o governo turco é "muito dura". "O que acontece atualmente na Turquia não corresponde, para mim, à nossa concepção da liberdade de manifestação e expressão, elementos essenciais de uma sociedade desenvolvida."
Em entrevista à emissora alemã RTL, Merkel manifestou o desejo de que a oposição "obtenha um espaço na Turquia que entra no século XXI" e que uma solução pacífica seja alcançada.
A repressão aos protestos contra o governo de Recep Tayyip Erdogan tem provocado fortes críticas à Turquia de países europeus e da União Europeia, bloco ao qual o governo turco pretende se integrar. Para a maioria deles, o uso da força policial é excessivo e há restrições à liberdade de expressão.
Os protestos na Turquia começaram no fim de maio como um ato contra a construção de um shopping no parque Gezi, em Istambul. Com a repressão policial, no entanto, grupos de oposição e sindicatos aderiram e a manifestação cresceu e mudou de foco.