08 de julho de 2026
Bairros

Médico é acusado de assédio por pacientes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil investiga denúncias de assédio contra um médico da cidade. Em princípio, o profissional é acusado de acariciar e cortejar pacientes durante plantões na rede privada.

As supostas vítimas são sempre mulheres jovens, entre 25 e 30 anos. Duas delas teriam sido assediadas em consultas realizadas em maio e junho deste ano. Contra ele, no entanto, pesam ainda mais dois boletins de ocorrência contendo relatos semelhantes - referentes a março de 2011 e a novembro de 2008.

Procurado pela reportagem durante toda a tarde de ontem, o médico não foi localizado. A conduta também é alvo de sindicância pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). A assessoria de imprensa de um dos hospitais onde ele prestava serviço também informou que não trabalha mais na empresa e que uma apuração interna foi iniciada após as denúncias.

A queixa mais recente foi registrada na semana passada, quando uma mulher de 29 anos procurou a polícia para contar que o médico se comportou de maneira estranha em consulta. Ele teria encostado o corpo no dela e perguntado o que ela queria.

“No momento do exame, eu estava em pé quando ele encostou em meu corpo por trás. Eu senti o volume do pênis dele e me afastei”, disse a vítima. O médico teria dito que o sutiã dela estava atrapalhando o exame e ela acabou erguendo a blusa que vestia.

Depois, ele teria massageado os braços da paciente e dito que ela estava muito tensa. “Por várias vezes, ele encostou no meu corpo”, revela a paciente. Depois de fazer inalação, a vítima - que se queixava de dor nas costas - deixou o hospital e relatou o fato ao marido.

A polícia registrou boletim de ocorrência por “importunação ofensiva ao pudor”.

Procurada, a assessoria de imprensa do hospital onde a mulher foi atendida informou que a reclamação já foi recepcionada pela ouvidoria e que aquele foi o último plantão prestado pelo profissional.

Língua?

Em outro caso, registrado em meados do mês passado, o médico teria encostado a língua nos lábios de uma paciente, uma vendedora de 25 anos que procurou outra unidade hospitalar da rede particular de Bauru devido a uma crise de bronquite. “Como estava com coriza, primeiro ele perguntou se eu não tinha usado drogas. Eu disse que não e ele disse, num tom meio irônico, que se eu tivesse com alguma coisa na bolsa a gente podia cheirar junto”, relembra a paciente.

Em seguida, o médico teria feito elogios à beleza da jovem e dito que “uma moça tão linda não pode ficar doente e precisa se cuidar”. Também teria oferecido o número do celular à paciente e lhe dito que daria dois dias de atestado médico, depois de a mulher pedir apenas um.

Depois de ser submetida a exame de radiografia, a paciente voltou à sala do médico, quando ele teria começado a apalpar os seus olhos, impedindo que ela enxergasse. “Foi então que ele passou a língua dele na minha boca. Já estava achando tudo muito estranho, cheguei a ficar em dúvida sobre o que estava acontecendo, mas isso foi a gota d’água. Empurrei ele para longe e saí da sala. Foi muito constrangedor”, afirma a jovem.

Com vergonha e medo, a paciente diz que chegou a desistir de prestar queixa à polícia, mas acabou voltando atrás. “Sei que é algo difícil de provar, mas isso precisa ser investigado. O meu desejo é que nenhuma outra mulher passe pelo que eu passei nas mãos dele”, lamenta.


Suspeito será chamado pela polícia

Nos próximos dias, o médico bauruense acusado de assédio deverá ser chamado a prestar esclarecimentos na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru. De acordo com o delegado que cuida do caso mais recente, Carlos Creppe, inicialmente ele irá responder por contravenção penal por “importunação ofensiva ao pudor”.

A pena prevista é multa ou prestação de serviços à comunidade. “Mas, no curso da investigação, nada impede que se chegue à convicção de que houve um crime mais grave. Contudo, é muito prematuro fazer qualquer afirmação neste momento”, adianta.

Creppe afirma que, antes de ouvir o acusado, irá estudar o conteúdo dos outros três boletins de ocorrência registrados contra o médico e as providências tomadas em relação a eles.