10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Guerra nas ruas de São Paulo. De quem é a culpa?


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Não podemos ser inocentes e acreditar que os episódios ocorridos em São Paulo e Rio têm como motivação apenas o aumento na tarifa de ônibus e trens. Claro que é um absurdo num Estado, São Paulo, onde em 1994 a tarifa de ônibus era R$ 0,50 e no ano de 2012 chegou a R$ 3,00, muito acima da inflação que, contada a partir de 1994, subiu 299%, tenha esse reajuste. Mas como disse no início, este não é o real motivo da proporção que as manifestações tomaram. Bom, vamos aos fatos.

Vivemos num país que não comporta a demanda de pessoas e serviços. O Brasil tem uma extensão territorial que deveria ter no trem o seu principal meio de transporte, mas investe precariamente em estradas que matam mais que várias guerras. O país, que é rico, sofre uma grande deficiência em pontos vitais de sua estrutura física e operacional, aeroportos, portos, transporte público, saúde e educação, etc. Em São Paulo é comum você passar 4 horas do seu dia preso no trânsito, no carro ou entalado em um ônibus lotado, ser assaltado em plena luz do dia. O governo ainda não aprendeu, ou se aprendeu não o faz de forma plena, que o caminho para o crescimento é o corte nos juros, barrando a inflação e investindo em educação e infra-estrutura.

Mas fora isso, ainda temos a velha e persistente corrupção com impunidade. O nosso mensalão, o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, que finalmente terminou com a condenação dos réus, réus que, por incrível que pareça, estão no poder ainda, é uma piada de muito mau gosto. Fora a polêmica PEC 37, que tirará os poderes de investigação dos promotores do Ministério Público, delegando a responsabilidade de investigação inteiramente às polícias.

Além de outra proposta que visa submeter as decisões do Supremo Tribunal Federal ao Congresso - uma violação completa dos três poderes. Se pararmos para refletir, de fato o aumento na tarifa foi a gota que transbordou no oceano de sofrimento e indignação. Afinal, de quem é a culpa de tudo isso?

É minha, é sua, é de todos nós que por muito tempo fomos passíveis, mas que agora resolvemos dar um basta. Tirando os vândalos, que merecem ficar na cadeia, a grande maioria das pessoas que participaram das manifestações são de jovens com conhecimento e ideologia política, uma parcela intelectualizada da sociedade que procura por um fim ao esquecimento político. Por isso, um conselho de amigo: olhos e ouvidos abertos agora para saber votar no ano que vem.

Maestro Alexei Lisounenko