O presidente afegão, Hamid Karzai, disse ontem que seu governo não vai participar das negociações de paz dos Estados Unidos com o Taliban e anunciou a suspensão da negociação de um pacto militar com Washington, ressaltando a frágil esperança para uma paz negociada no Afeganistão.
Autoridades dos EUA anunciaram que o diálogo com o Taliban será iniciado nos próximos dias em Doha, capital do Catar, o que gera a expectativa de uma paz negociada no Afeganistão após 12 anos de uma sangrenta guerra que opõe forças governamentais e estrangeiras contra insurgentes islâmicos.
Mas autoridades afegãs, irritadas com a abertura de um escritório do Taliban na terça-feira em Doha, disseram que os Estados Unidos violaram garantias de que Washington não concederia status oficial aos insurgentes.
“Enquanto o processo de paz não for comandado por afegãos, o Alto Conselho da Paz não irá participar das discussões no Catar”, disse Karzai em nota, referindo-se a um órgão que ele criou em 2010 para negociar a paz com o Taliban.
Salientando a importância do processo para os EUA, o Departamento de Estado disse que o secretário de Estado John Kerry vai viajar a Doha para reuniões com autoridades catarianas amanhã e sábado. Uma delegação norte-americana já havia chegado anteriormente ao país árabe para as negociações com o Taliban, segundo uma fonte diplomática.
Os combates no país continuam. Quatro soldados norte-americanos foram mortos na noite de terça-feira por um foguete que atingiu o quartel de Bagram, nos arredores de Cabul, segundo militares.
O porta-voz do Taliban no Catar, Mohammed Naeem, confirmou ontem que o movimento insurgente participará da reunião com a delegação norte-americana, sem a presença de funcionários do governo afegão. Ele não citou outros prazos para as discussões.
Karzai disse que a inauguração de um escritório do Taliban no Catar mostra que os EUA descumpriram promessas feitas ao Estado afegão sobre a função daquele escritório.