08 de julho de 2026
Geral

Câmara cria Comissão do Transporte

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.

Encontro entre parlamentares e manifestantes foi realizado ontem na Câmara Municipal

Após se reunir com grupo de manifestantes na Câmara Municipal, os vereadores deram um paliativo ao movimento. Será montada hoje uma comissão de parlamentares que realizará um estudo sobre o transporte coletivo de Bauru. Durante o encontro, os vereadores reafirmaram não haver motivos para abrir a Comissão Especial de Inquérito (CEI) e destacaram que a redução das tarifas cabe ao Executivo.

Dos 17 vereadores, apenas 10 participaram. Além do presidente Sandro Bussola (PT), estavam presentes Fábio Manfrinato (PR), Markinho da Diversidade (PMDB), Telma Gobbi (PMDB), Fernando Mantovani (PSDB), Lima Júnior (PSDB), Roque Ferreira (PT), Renato Purini (PMDB), Fabiano Mariano (PDT) e Carlão do Gás (PR).  

Já da parte dos manifestantes do “Bauru Acordou”, oito participaram do encontro. Eles fizeram questão de reafirmar que não exercem o papel de liderança e que o ato de hoje está mantido.

No começo da reunião, Bussola – o único vereador que teve a palavra – apresentou o documento no qual os vereadores pediam, conforme divulgado ontem pelo JC, a Rodrigo Agostinho (PMDB) a reavaliação do aumento da tarifa do transporte coletivo.

Os manifestantes criticaram que era apenas uma “transferência de responsabilidade”, porém o parlamentar ressaltou que somente o Executivo tem poder para determinar a alteração de valor.

Apesar de o movimento já ter afirmado que a CEI do Transporte Coletivo não é o único ponto de reivindicação, foi o que mais foi batido pelos manifestantes presentes. “O transporte coletivo é ruim como um todo. É de pouca qualidade. Queremos que se instale essa CEI para questionar o Executivo sobre o que está sendo feito”, apontou o manifestante Thyago Cezar.

Outra reivindicação foram as planilhas apresentadas pelas empresas de ônibus. Os manifestantes questionaram a veracidade do conteúdo, reforçando o pedido da CEI.

Sandro Bussola, contudo, reafirmou que a assinatura para colocar a votação da CEI cabe a cada parlamentar, dizendo não ter o que fazer. Em contrapartida, apresentou outra proposta: começa hoje uma Comissão de Avaliação do Transporte Coletivo.

“Esta comissão vai fazer um levantamento da condição do transporte. Fará uma análise de tudo. Serão três vereadores que farão este estudo. O prazo é de 30 dias para que eles façam essa análise”, afirma o presidente da Câmara.

Os parlamentares que irão compor tal comissão serão nomeados ainda hoje por Bussola. O fato de não ser bipartite não foi sequer questionado pelos manifestantes.

Em relação à veracidade das planilhas apresentadas pelas empresas de circulares, o presidente afirmou que elas irão passar pela Comissão de Fiscalização e Controle da Casa.

Estratégia?

O grupo que conversou com os vereadores considerou uma conquista parcial a criação da tal comissão. Eles afirmaram não temer que o fato seja apenas uma estratégia para que, no decorrer do aguardo da análise, o movimento perca força.

“Foi um grande avanço, mas entendemos como uma medida paliativa. Se isso não der em nada, continuaremos batalhando. O povo já está nas ruas”, declarou Tales de Freitas.

Prometem ainda que vão continuar lutando pela instalação da CEI, que, para eles, seria a forma ideal de “caçar os problemas”. A expectativa do grupo é de que, após a análise da comissão criada hoje, haja mais argumentos para a CEI.

Cerca de 40 manifestantes aguardaram do lado de fora da Câmara. Alguns também chegaram a questionar se a proposta da Câmara não havia sido uma estratégia para diminuir a força das reivindicações.


‘A redução é difícil’

O prefeito Rodrigo Agostinho afirma que está aberto a conversar com os manifestantes. Ele diz que está acessível a ter uma reunião assim como a que foi realizada ontem na Câmara. Contudo, o chefe do Executivo já adianta que a redução na tarifa é “algo difícil”.

“Estamos estudando todas as possibilidades. Mas a prefeitura não tem dinheiro para arcar com isso. Há, no Congresso Nacional, um projeto para isenção de tributos municipais e estaduais. Se for aprovada, pode ser a única solução”, prevê Rodrigo.

Por questões de segurança, ele não confirma presença na manifestação hoje, entretanto, promete que terá “vários interlocutores por lá”.

Agostinho ainda afirma que foi monitorado um grupo que estaria se articulando na Internet para cometer atos de vandalismo. “Isso é real. Iremos tomar algumas atitudes para resguardar o prédio da prefeitura. Acho as manifestações muito válidas, mas condeno qualquer ato de vandalismo”, conclui.


Emdurb entra com liminar para barrar greve

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) entrou ontem no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Campinas, com um pedido de liminar na tentativa de impedir a greve dos circulares em Bauru, programada para amanhã.

“Entendemos que já existe um acordo coletivo assinado e que a greve não é legítima. No nosso entendimento, é o sindicato quem deveria decidir isso”, afirma o prefeito Rodrigo Agostinho, que aguarda uma resposta do TRT ainda hoje.

Conforme o JC noticiou, a greve é conduzida por uma comissão dissidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran). Os motoristas alegam que o acordo coletivo firmado não foi legítimo e não atende suas reivindicações. O sindicato nega e também não considera a greve legal.

A paralisação está programada para começar amanhã. Segundo os responsáveis, das 5h às 7h da sexta-feira, nenhum coletivo irá circular. Depois desse horário, 30% irá operar com catraca aberta. 


Pressão

Após a reunião ontem, os manifestantes seguem em duas frentes: uma na continuação do pedido da instalação da CEI do Transporte Público e outra na pressão ao Executivo pela redução da tarifa.

Por isso, o segundo ato de protesto hoje está mantido e vai partir da praça Rui Barbosa às 18h. A expectativa é que seja maior do que o realizado na segunda-feira. Os manifestantes não divulgaram o trajeto.

Eles, porém, disseram que querem se reunir com o prefeito para exigir a redução da tarifa. “Esta reunião é mais do que necessária”, disse Altair Pereira, um dos manifestantes.

A Polícia Militar (PM) já se mobilizou para que, novamente, não haja problemas. “Iremos bloquear as vias ao redor da manifestação e colocar policiais que estavam no administrativo e em folga. Teremos um efetivo aproximado de 100 policiais”, explica o capitão Alan Terra, oficial de relações públicas do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).