11 de julho de 2026
Cultura

Biquíni em pleno inverno: banda toca hoje em Bauru

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 6 min

Divulgação

Banda toca hoje em Bauru, no Alameda Quality Center

“Música se faz com a cabeça, música se faz com o coração, música se faz com atitude, musica não se faz com a bunda, não. Mas com Biquini, com certeza!” A frase de efeito dita pelo vocalista Bruno Gouveia, em show ao vivo em Fortaleza no ano de 2005, foi, com certeza, um dos momentos mais marcantes da banda Biquini Cavadão. Passados mais de cinco anos, a frase ainda é bastante disseminada entre os fãs de rock nacional, principalmente pelas redes sociais.

Aliás, tempos de Internet não assustam os caras do Biquini, que faz show por aqui neste sábado, no Alameda Quality Center, a partir das 22h, em mais um show “de peso” do Harley-Davidson Show - hoje também tem os tributos ao Rolling Stones, às 14h, e à Janis Joplin, às 17h, ambos gratuitos. Enquanto músicos e bandas de longa data – assim como Biquini, que já está com mais de duas décadas na estrada – se assustam com suas músicas sendo baixadas na rede, a Biquini tira proveito disso e usa as ferramentas da web pra fortalecer o contato entre público, banda e músicas.

Com sua repercussão na web, Biquíni é hoje uma banda contemporânea “hiper-representativa” do pop e rock brasileiro, antenada com as novas tecnologias e querida de Norte a Sul do País. Um grupo que acompanhou as décadas sem ficar perdido no tempo  Pra se ter uma ideia, a banda foi uma das precursoras na Internet, ao criar site na década de 90. Acompanhando novos anseios e pensando “em rede”, o grupo acaba de lançar seu novo álbum, “Roda Gigante”, em formato de pen drive, além de CD e vinil. “Não queremos só fazer música, queremos estar cada vez mais conectados com as pessoas”, salienta o guitarrista Carlos Coelho.

Em Bauru, é o quarto show do grupo depois de passados mais de quatro anos da última apresentação, em 2008. O Biquini esteve ainda em Bauru nos anos 2000 e 1992. Confira a entrevista com o guitarrista Carlos Coelho:

JC: Vocês estiveram em Bauru em 2008, é o quarto show na cidade. Tem algum episódio que ficou mais marcado?

Coelho: Lembro que a última vez a gente tocou em uma boate... Cervejarias dos Monges, será? Acho que sim. E a lembrança que a gente leva das cidades são os shows, o público, como a gente é recebido. É o que marca. A lembrança que tenho de Bauru do último show é que a gente se divertiu e tomou cerveja pra caramba...

JC: E o que vocês vão tocar aqui hoje?

Coelho: Sempre que a gente lança um disco novo queremos inclui-lo no show, pois ficamos muito ansiosos. O lançamento de um álbum é um processo muito demorado. No caso, nossas músicas mais novas estão tocando nas rádios e estamos muito orgulhosos de poder divulgar o novo CD no show. Incluímos algumas do novo álbum, mas fazemos um apanhado de nossa carreira. Ninguém sai sem ouvir “Tédio”, “Timidez”, “Impossível”, “Vento, Ventania”, “Janaína”, “Dani”, “Quando eu Te Encontrar”. Entre as mais novas, estão “Entre Beijos e Mais Beijos” e canções do álbum mais recente, Roda Gigante.

JC: O Roda Gigante tem até formato em pen drive?

Coelho: É 14º disco da banda. Depois de gravado, ficamos decidindo qual seria a melhor forma de lançá-lo. Aí resolvemos lançar o disco em CD, em vinil e em pen drive, pois assim conseguimos uma abrangência maior. Na “versão pen drive” há uma entrada USB que você pode conectar no carro, na televisão... O mais legal é que você coloca no computador com Internet e tem a possibilidade de receber novidades relacionadas ao disco, atualizações. Por exemplo, gravamos o clipe “Entre Beijos e Mais Beijos”, que não está no pen drive. Depois do clipe feito, a pessoa vai receber o clipe, além de versões acústicas, entre outros materiais referentes ao disco Roda Gigante. Basta estar com o pen drive e conectado à Internet. Estamos muito presente nas redes sociais, no Facebook, no Twitter e é isso que a gente deseja, não é só fazer música. Queremos estar cada vez mais conectados com as pessoas.

JC: Vocês são uma banda com mais de 20 anos de existência. Alguns músicos e bandas com a mesma “idade” não enxergam como positiva as ferramentas da Internet para a disseminação das músicas. Como vocês veem essa mudança, as pessoas ouvindo tudo de graça pela Internet...

Coelho: Já temos 28 anos de história! Acho essa transformação espetacular. Do ponto de vista da música, se você pensar o quanto a Internet é capaz de fazer, as pessoas se conectam a você e assim você consegue se comunicar com o mundo inteiro, na hora que quiser. E no caso da música, as ideias se difundem com mais rapidez, que possibilita que as ideias dos artistas de propaguem. Antigamente você tinha um CD que você gostava, e aí gravava este CD para seu amigo, ou gravava em uma fita e, no fundo, era a mesma coisa. E a Internet veio pra ampliar tudo isso, inclusive o poder pra disseminar as ideias, com uma velocidade incrível. Conseguimos emplacar algumas músicas que nunca foram trabalhadas na rádio e que fazem sucesso graças à Internet. É claro que se perde com vendas por causa do livre download. Mas ainda há muita gente comprando músicas pelo iTunes, ou está cadastrada em sites onde se paga mensalidades para ouvir as músicas. Só para constar, nós fomos a primeira banda a ter um e-mail, a primeira banda a ter um site... Estamos sempre querendo acompanhar as coisas na Internet. Não temos ninguém pra assessorar nosso site, somos nós que mexemos nele.

JC: Apesar dos 28 anos, vocês não se perderam no tempo e têm mantido gerações e conquistado novas...

Coelho: Estamos caminhando para o nosso show de número 2 mil. A gente renovou nosso público, apesar de termos um público que nos acompanha desde o início. Temos fãs de 16 anos até chegar na nossa idade, e até mais. Conseguimos conquistar essas novas gerações acho que por causa dessa presença marcante na Internet, da gente estar sempre trabalhando, lançando música nova, estar preocupado com a sonoridade do disco... Não nos acomodamos. Sempre queremos mais: shows melhores, discos melhores, nos comunicar mais com os fãs... Talvez sejam estes os motivos que nos ajudam a manter uma carreira tão estruturada.

JC: E como você avalia essas novas bandas de rock para adolescentes, estão mais romantizadas?

Coelho: Algumas bandas hoje se direcionaram para um público consumidor que não existia há uns anos atrás. Essa garotada bem jovem – de 12, 13 anos – era um público que não existia, não consumia quase nada. Não havia produtos destinados a este público, acho que até em relação à moda, comportamento... E nada mais adequado quando vemos um público ávido pra consumir alguma coisa e uma banda que vá suprir essa necessidade. Todos esses produtos voltados pra adolescentes têm tudo a ver com essa nova fatia que passou a ser consumidor. Acho ruim julgar algo que não foi feito pra você.

O Alameda Quality Center fica na rua Luiz Levorato, 1-55, altura do quilômetro 335 da Marechal Rondon. Informações: (14) 3321-5000. Ingressos para show de Biquíni Cavadão à venda no Alameda: R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia)