09 de julho de 2026
Geral

Cronista lembra trajetória na imprensa

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Carmina Simalha de Araújo, considerada uma das primeiras mulheres a atuar na imprensa bauruense, completa hoje 90 anos. Bastante lúcida, ontem, ela recebeu a reportagem em sua casa para relembrar um pouco da sua trajetória de vida e momentos que marcaram a sua passagem pelo jornalismo.


Carmina revela que “tomou gosto” pela leitura ainda criança, influenciada pelos professores de português que tinha. “Eu sempre gostei de ler. Quando eu tinha 15 anos, trabalhei em uma biblioteca onde tinha livros de todos os tipos. E eu ficava lendo. Os escritores do século XIX eu li quase todos”, relembra.


Na mesma época, começou a atuar como cronista no jornal Folha do Povo, que funcionava num prédio na quadra 6 da rua 1º de agosto. “Eu trabalhei com Paulino Raphael, Jorge de Castro e outros famosos, que já partiram”, conta.


Ela também produziu diversas esquetes (peças de curta duração) para a PRG-8 Bauru Rádio Clube, que funcionava na rua Agenor Meira. “Eu me lembro que fugia da escola e ia visitar a PRG-8. Eu chegava lá e era um silêncio. A gente pedia duas, três músicas”, lembra.


De acordo com Carmina, naquela época, o rádio era o meio de comunicação mais popular. “O rádio era tudo porque a gente só tinha rádio. Naquele tempo, era disco de 12 polegadas, daqueles grandes, e a gente ficava tocando. Em casa, todo sábado, vinha a vizinhança e a moçada para dançar”, revela.


Além da Folha do Povo e da Rádio Clube, Carmina colaborava com jornais de Piratininga, Duartina e Pederneiras. Nesta última, quem recebia os textos era o redator do jornal “O Comércio de Pederneiras”, Luiz Soares de Araújo. “Eu comecei a mandar crônicas para ele e ele publicava, sem me conhecer”, diz.


Influenciada pelo irmão, ela decidiu ir até Pederneiras para saber quem era o redator. “Eu gostava de passear. Aí eu fui lá num domingo e ele morava no hotel em que morava meu irmão. Ele diz que foi amor à primeira vista. Eu fui muito namoradeira, não levava muito a sério, mas dele eu gostei”, declara.


Aos 18 anos, após um ano e meio de namoro, Carmina casou-se com Luiz. Apesar da vida de dona de casa, continuou escrevendo crônicas e poesias para os jornais por alguns anos. Segundo ela, um dos fatos que mais lhe marcou foi acompanhar notícias sobre a 2ª Guerra Mundial através do extinto programa de notícias Repórter Esso. Por dez anos, ela também participou das reuniões mensais da Ordem dos Velhos Jornalistas (OVJ), fundada em 1980.