Marcelino (Revista "Veja", edição 2326, ano 46, número 25, p. 46-7), sua reflexão parte de uma visão estreita e distorcida da realidade. Onde está o poder público na sua reflexão? Melhor ainda, onde está a relação entre o setor público e a sociedade baruense? Você parte de pressupostos superados há pelo menos dois séculos, a saber: a) homens/mulheres cuidam apenas de si; b) se cada um(a) buscar seus próprios interesses (no seu caso cada um fazendo sua parte) chegar-se-ia ao bem-estar da sociedade (no seu caso resolver-se-iam os casos de dengue). Omite um fato óbvio: os focos de mosquito não se restrigem apenas às casas das famílias, das pessoas. O que nos diz dos focos de mosquitos constatados nas praças das cerejeiras e praça da paz. Além disso, no primeiro mandato do atual prefeito, a utilização do fumacê minimizou a incidência de dengue. E agora, o fumacê não funciona mais?
E o fundamental a ser respondido pela sua reflexão: por que mesmo outras cidades e outros países em áreas tropicais têm incidência menor de casos de dengue? É porque a população brasileira, no caso em geral, e a população de Bauru, no caso em particular, é burra (sic), é estúpida (sic)? Certamente que não. Desconsiderar a particularidade histórica de nossa formação e desenvolvimento socioeconômico e a particularidade de nossa elite sempre anti-povo, o que reflete na forma de ação do Estado e do setor público, ocultar da população os verdadeiros problemas e como se construir as soluções aí sim é deslanchar no campo da estupidez, da burrice.
Em suma, sua reflexão não compreende a realidade de Bauru em toda sua dimensão, artificialmente desloca a solução para a população, o que expressa mais uma ação anti-povo e é condizente com os interesses de quem sempre se beneficiou de Bauru há pelo menos um século.
Professores Paulo Rodrigues e Carlos Rodrigues