10 de julho de 2026
Nacional

Capital mineira tem clima tenso antes de jogo da Copa das Confederações

Reuters
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A Fifa também tem sido alvo de protestos no país desde o início da Copa das Confederações. As seis cidades que sediam o torneio tiveram manifestações perto de estádios contra os gastos com o Mundial de 2014 e reivindicando melhorias nos setores de saúde e educação.

Em Salvador, onde a seleção brasileira derrotou a Itália, ao menos dois ônibus comuns foram incendiados por manifestantes e dois micro-ônibus a serviço da Fifa foram alvo de pedradas na semana passada.

No sábado, Belo Horizonte teve um grande protesto, que deixou oito manifestantes e seis policiais militares feridos, um deles integrante da Força Nacional. Este foi o segundo protesto na capital mineira, onde em 17 de junho milhares de pessoas também manifestaram perto do Mineirão, e a polícia usou gases de efeito moral e balas de borracha, segundo testemunhas.

"A polícia é despreparada. Eu vi os policiais atirando balas de borracha em manifestantes pacíficos de cima de um viaduto", disse o motoboy Elias Henrique Pereira, para quem os protestos são justos.

"Foram muitos anos que o povo ficou calado e agora acordou, o povo tem que se unir. Foi muito dinheiro gasto na Copa enquanto tem hospital com obras paradas", completou ele, citando uma das bandeiras das manifestações.

Para o vendedor de salgados Jorge Guilherme da Silva, a corrupção é o maior mal do país. Ele apoia os protestos, porém por medo ficará em casa na quarta-feira.

"Existe uma apreensão devido aos bandidos que se infiltram e fazem saques. Mas acho justo (o protesto) desde que tenha um objetivo. Está na hora de o povo gritar, ele estava muito sufocado", afirmou o vendedor.

Com o feriado na quarta-feira, muitos habitantes de Belo Horizonte acreditam que os protestos podem ganhar mais força. "O clima de desconfiança está pela cidade toda. Está todo mundo com o pé atrás", disse a comerciária Yasmine Evaristo.

Segundo ela, a perspectiva na cidade é a de que o número de linhas de ônibus em circulação seja reduzido, pelo receio às reações violentas de manifestantes. "Mesmo as pessoas que dão apoio (aos protestos), todo mundo está com certo receito sobre o quão agressivo vai ser", disse ela, que trabalha numa loja no centro da cidade.