O Equador negou ontem que quer provocar um confronto com os Estados Unidos por causa do técnico de informática Edward Snowden. O país sul-americano analisa um pedido de asilo diplomático feito pelo delator do monitoramento de Internet e telefones feito pelos Estados Unidos.
Snowden está na área de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, desde domingo, quando saiu de Hong Kong. No sábado Washington pediu a extradição do informante, que não foi atendida pelo território chinês nem pelos russos.
Segundo o vice-embaixador equatoriano em Washington, Efraín Baus, a situação será analisada de forma responsável e rejeitou as acusações americanas de provocação e de violação dos tratados internacionais de extradição.
“A base legal para cada caso individual deve se estabelecer rigorosamente, de acordo com nossa Constituição e o marco legal nacional e internacional correspondente. Este processo legal também leva em consideração as obrigações com direitos humanos”, explicou.
Na terça o chanceler Ricardo Patiño afirmou que está negociando verbalmente com os Estados Unidos, mas que precisa ser comunicado por escrito sobre a situação de Snowden. Ele disse que o trâmite para a concessão do asilo pode levar meses.
Para efeitos de comparação, Quito levou dois meses para analisar e aprovar o asilo diplomático ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange.
Mais cedo, o presidente Rafael Correa criticou o jornal americano “Washington Post”, que chamou o seu governo de hipócrita por defender o asilo a Snowden e aprovar restrições à imprensa e aos opositores.
Nome errado
O governo de Hong Kong disse ontem que não cumpriu a solicitação dos EUA para reter Edward Snowden porque o pedido trazia seu nome do meio errado e não informava o número do passaporte.
Segundo Rimsky Yuen, secretário da Justiça de Hong Kong, os papéis enviados pelos americanos continham discrepâncias.
Entre elas, a troca do nome do meio do delator, de Joseph, como no registro em Hong Kong, para James, e o uso de abreviatura, como em Edward J. Snowden. Esses nomes não são a mesma coisa, disse o secretário.
Área de trânsito
A agência de notícias russa Interfax informou ontem que Edward Snowden, delator do esquema de monitoramento de dados de Internet e de ligações telefônicas feita pelos Estados Unidos, deverá ficar na área de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou.
Segundo funcionários do aeroporto consultados pela agência, ele não tem um passaporte válido após o governo americano ter revogado seu documento de viagem. Com isso, ele é proibido de entrar na Rússia e não poderia oficialmente embarcar em um voo para qualquer lugar do mundo.