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Malavolta Jr. |
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A orquestra levou alegria a pacientes e funcionários do Centrinho |
O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/ USP – Centrinho) completa, nesta semana, 46 anos de vida. Na comemoração de ontem, o presente foi para os pacientes, acompanhantes e funcionários da entidade, que contemplaram o trabalho do programa “Música nos Hospitais”. Regida pelo maestro Samir Wady Rahme, que também é clínico geral, a orquestra composta por 14 músicos emocionou a quem assistiu à apresentação realizada ontem no saguão da unidade de saúde.
“É um momento musical terapêutico”. Essas foram algumas palavras utilizadas pelo médico para explicar a relação entre a música e a recuperação dos pacientes de hospitais.
A apresentação emocionou Célia Izabel Garcia, 41 anos, mãe da paciente Vallensa Luzia Garcia dos Santos, 3 anos. A pequena nasceu com fenda palatina e com uma deficiência que deixa o queixo e a língua retraídos.
Apesar de gostar muito de música clássica, na cidade onde moram, Parnaíba (MS), o estilo musical predominante é o sertanejo. “Sempre gostei de outros estilos musicais, principalmente o clássico, que só vejo pela televisão. Mas como lá o estilo musical predominante é o sertanejo, quem ouve outros estilos acaba sendo estranho. Tinha o sonho de ver uma orquestra ao vivo e, mesmo com muita dor de cabeça, fiz questão de assistir um pouco da apresentação. Me segurei para não chorar”, contou Célia.
Quem se emocionou também no concerto foi Amaysa Regitano de Barros, que pediu que os músicos tocassem “Parabéns a você” em comemoração ao seu aniversário de 86 anos. Ao final da apresentação, ela solicitou ainda que o maestro autografasse um folder do evento, para que ela guardasse como recordação.
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Mãe de paciente, Célia Izabel Garcia se emocionou |
Terapia
Antes da apresentação no saguão, a orquestra se subdivide em quatro para que aconteçam miniapresentações no interior dos hospitais (salas de recuperação e de internação), como também ocorreu ontem no Centrinho.
Em entrevista ao JC, o maestro Samir, médico clínico geral e especialista em medicina antroposófica, afirmou que a relação música-terapia é um trabalho científico. “A música é a linguagem da alma. Aqui o nosso objetivo não é fazer esse trabalho científico, mas proporcionar um momento musical terapêutico para os pacientes desses hospitais”, disse.
Criado em 2004, em parceria com a Associação Paulista de Medicina (APM), uma indústria de medicamentos e com o apoio do Ministério da Cultura, o programa “Música nos Hospitais” leva o som clássico, também adaptado ao estilo barroco, a diversas unidades de saúde. Os músicos, entre eles nove violinistas, duas violonistas, dois violoncelistas e um contrabaixista, já fizeram mais de 130 apresentações em mais de 150 instituições de saúde.
Comemoração
A programação em comemoração aos 46 anos do Centrinho-USP conta ainda com outras atividades. Hoje, encerrando a programação, está marcada a festa junina para pais e pacientes, a partir das 9h, no quiosque do Centrinho-USP, organizada pelo Serviço de Educação e Terapia Ocupacional.
Vilma Roberto, exemplo de superação
A história de Maria Vilma Roberto, 47 anos, parece comum a outros casos de glaucoma, mas na verdade é um exemplo de superação e quebra de paradigmas. Aos 9 anos, ela perdeu a visão por conta da patologia, mas mesmo assim não deixou de frequentar o ensino regular. Concluiu seus estudos, se formou em jornalismo e se especializou em políticas públicas. Vilma já ganhou diversos prêmios e ontem esteve na Instituição Toledo de Ensino (ITE) em Bauru para falar sobre o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência “Viver sem limite”, do qual ela é consultora no Estado de São Paulo.
“Eu nasci com glaucoma e aos 9 anos perdi a visão totalmente. Fui alfabetizada normalmente porque a minha cartilha era em braile, por conta da minha visão reduzida. Sempre frequentei o ensino regular, como qualquer aluno, o que julgo ser muito importante. Com muita força de vontade e apoio da minha família, me formei em jornalismo e comecei a conhecer os programas para deficientes oferecidos pelo governo”, contou.
Vilma se especializou em políticas públicas, foi gestora pública em Santo André (SP) e ganhou diversos prêmios por conta de seus projetos, entre eles, um da Organização Mundial de Saúde (OMS), o que a fez apresentar o trabalho no México.
“A dificuldade não está nas pessoas com deficiência, mas sim na sociedade, que ainda não consegue derrubar essas barreiras para que a gente exerça uma cidadania de fato. Basta procurar. No início da minha vida não tinha planos como o ‘Viver sem limite’. Eu estou aqui pela minha procura e por ter frequentado a escola regular”, opinou.
A proposta do “Viver sem Limite” é a de que o governo federal, estados e municípios façam com que a convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, da ONU, ratificada no Brasil com equivalência de emenda constitucional, aconteça na vida das pessoas por meio da articulação de políticas governamentais de acesso à educação, inclusão social, atenção à saúde e acessibilidade.
A apresentação do plano contou com a participação da secretária do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo, dos vereadores Fábio Manfrinato, Francisco Carlos de Góes, e de representantes de várias cidades da região, como Agudos, Jaú, Bariri, Pompéia, entre outras.
O evento discutiu a participação das cidades nos diversos programas oferecidos pelo plano e a finalidade de cada um deles.