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Fotos/Aceituno Jr. |
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Manifestantes caminham pela rua Marcondes Salgado rumo à Rondon |
O terceiro ato da manifestação em Bauru, realizado ontem, foi o que reuniu o menor número de pessoas. Porém, os cerca de 400 manifestantes, segundo estimativa oficial da polícia, bloquearam a rodovia Marechal Rondon (SP-300) na altura do posto Graal nos dois sentidos e provocaram congestionamento que chegou a três quilômetros. Tanto a Polícia Militar (PM) quanto a Polícia Rodoviária precisaram agir para evitar qualquer problema. Ao fim, conseguiram uma assembleia hoje com o prefeito Rodrigo Agostinho (leia mais abaixo).
Conforme divulgado nas redes sociais, a concentração do grupo “Bauru Acordou” começou por volta das 17h30 na praça Rui Barbosa. Ao contrário dos outros dois protestos, a quantidade de pessoas reunidas era pequena. “É melhor ser poucos, mas com foco”, disse a manifestante Renata Cézar.
A titular da Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo, compareceu na praça como “interlocutora” do prefeito. Os manifestantes, contudo, diziam que queriam falar apenas com o chefe do Executivo. “Procura-se um prefeito”, apontava um dos cartazes.
Conforme os dois outros protestos, o trajeto foi decidido por maioria. Quatro eram as opções: o viaduto da Vila Falcão, o Terminal Rodoviário, a prefeitura e a Marechal Rondon. A rodovia, alvo dos anseios de muitos no ato anterior e que gerou até certo impasse, foi escolhida e acatada desta vez.
Já com os gritos costumeiros, os manifestantes saíram da praça e foram até a Rodrigues Alves. De lá, pegaram a Nações Unidas. Subiram na Marcondes Salgado e, por volta das 19h, desembocaram na Rondon.
Eis que houve o momento mais tenso. Manifestantes temiam que a PM não permitisse que eles entrassem na pista. Não houve resistência. Enquanto isso, a Polícia Rodoviária segurou o fluxo de veículos nos dois sentidos.
“A Rondon é nossa” e “paramos a rodovia inteira” eram trechos dos cantos entoados. Enquanto isso, um carro de som, que novamente guiou as pessoas durante o ato, foi liberado para quem queria fazer sua reivindicação. Lá, as causas da saúde e educação (salário dos professores) frequentemente eram levantadas.
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Manifestantes bloquearam a rodovia nos dois sentidos; congestionamento de 3 km |
Congestionamento
O ato foi considerado novamente pacífico pela polícia. O maior transtorno realmente foi o congestionamento que se formou nos dois sentidos da Marechal Rondon. De acordo com a Polícia Rodoviária, no sentido Capital-Interior, chegou a dois quilômetros. Já no sentido oposto foi de aproximadamente um quilômetro.
A PM mobilizou um efetivo de cerca de 100 homens. O Águia também percorreu a região. Da Rodoviária, foram aproximadamente 20 policiais. “Desviamos o fluxo de veículos pela Nações Unidas e, no outro sentido, pela Nuno de Assis”, explicou o tenente Vitor Tamarozi, responsável pela operação da Polícia Rodoviária.
Alguns motoristas ficaram indignados com a paralisação da rodovia. “Minha mãe de 80 anos está em casa sozinha. Eles estão violando meu direito de ir e vir”, criticou a psicóloga Terezinha Fulaneti, 56, que voltava para a casa e era a primeira na fila de veículos. Os mais exaltados tentaram até mesmo fazer o retorno pelo canteiro central da pista.
Outros, contudo, apoiaram a ação. “Estou esperando aqui e acho certo. Alguma coisa tem que mudar na cidade. Vale a pena”, disse o eletricista Felipe Marra, 23.
Após o bloqueio de cerca de duas horas, os manifestantes abandonaram a rodovia. Seguiram o mesmo trajeto de volta até a praça Rui Barbosa, onde o terceiro ato chegou ao fim.
Partido e sindicato
Mesmo com o pedido constante de um ato apartidário e com uma quantidade de pessoas muito menor do que os protestos anteriores, uma bandeira do PSTU tremulou entre as manifestações.
Representantes do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) também estiveram presentes.
Assembleia hoje na prefeitura
Acompanhada de outros funcionários municipais, a secretária Darlene Tendolo foi até a concentração do ato para, segundo ela, “ser a palavra do prefeito”. Os manifestantes, porém, diziam que conversariam e negociariam apenas com Rodrigo. No final do ato, conseguiram o que tanto pediram ontem: uma assembleia para hoje com o prefeito.
Em rápida conversa com os presentes no início, Tendolo sugeriu uma assembleia entre eles e o prefeito hoje. “A Sebes pode receber todos vocês”, sugeriu Tendolo.
Os manifestantes ouviram, entretanto, decidiram fazer o ato da mesma maneira.
Questionada pelo JC, Tendolo argumentou que o prefeito teve “compromissos que inviabilizaram sua vinda até a manifestação”.
No fim da noite, os manifestantes se reuniram novamente na Rui Barbosa. Apesar da interlocução da Darlene Tendolo, foi o secretário de Cultura, Elson Reis, quem marcou a assembleia. “Ligamos para o Rodrigo e ele concordou em receber os manifestantes amanhã (hoje)”, confirmou o secretário. Segundo o grupo “Bauru Acordou”, será uma assembleia pública e todos estão convidados a participar. A concentração é na praça das Cerejeiras, onde fica a prefeitura, às 17h, e a reunião começará às 18h.
Manifestantes destacam pauta de reivindicações
Uma das grandes críticas do segundo ato, que reuniu 6 mil pessoas, foi a falta de foco. Alguns chegaram a ironizar dizendo, pelas redes sociais, que a manifestação havia virado uma grande micareta. Ou melhor, um “carnaprotesto”. Esse fator pode ter sido um dos motivos da pouca quantidade de pessoas ontem.
Por isso, os manifestantes fizeram questão de ressaltar várias vezes a pauta das reivindicações.
Pedidos
A principal delas é a revogação imediata do aumento do valor da passagem. A tarifa subiu 12% em maio e, um mês depois, recuou em 3,65% após as desonerações federais do PIS e Cofins.
Eles pediam ainda fim da cobrança diferenciada para o valor pago em dinheiro e a extinção da taxa de integração. O grupo também reivindica 50% de desconto no passe estudantil, sem limite de idade para esses usuários. Outro item é o fim do acúmulo de função dos motoristas de circulares, com a volta de cobradores em todas as linhas.
Há outras reivindicações: ampliação e reorganização das linhas de ônibus; criação dos horários e linhas noturnas; modernização e melhora na qualidade dos serviços e a construção de um terminal urbano. A pauta, no entanto, se estende a temas abrangentes, como a implementação da lei de transparência das contas públicas e auditorias populares em serviços públicos.
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Polícia Militar mobilizou um efetivo de cerca de 100 homens para conter os abusos |