10 de julho de 2026
Bairros

?Pacotão do Rodrigo? não agrada grupo

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Em uma assembleia de mais de três horas em frente à prefeitura, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) finalmente conversou com o grupo “Bauru Acordou”, responsável por três atos de protesto neste mês na cidade. Em cena inusitada, o chefe do Executivo ouviu as reivindicações sentado na calçada. Na onda dos “pacotões” de propostas, Rodrigo anunciou o dele, porém, não agradou os manifestantes.

Um dia após o terceiro ato, que parou a Marechal Rondon por duas horas, cerca de 100 pessoas compareceram na prefeitura. O prédio foi cercado por uma corda e por aproximadamente 50 policiais.

Foram quatro blocos de reivindicações diversas, seguidos da resposta do prefeito. As primeiras reclamações foram desde a causa principal – o transporte público – até assuntos distantes, como a prisão dos envolvidos no escândalo da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).

Na primeira vez que teve a palavra, o prefeito assumiu sua “culpa” por vários problemas e anunciou o “pacotão” (leia mais abaixo). De proposta mais concreta, foi a ampliação do passe estudantil com desconto, a partir de agosto, de 50% do valor da tarifa para pessoas com até 35 anos. Isto será custeado pelas outorgas pagas pelas empresas concessionárias do sistema.

Os manifestantes consideraram muito pouco e continuaram exigindo a revogação imediata do último aumento da tarifa para conseguir, em breve, o passe livre.

Mais organizados, alguns do grupo embasaram na Lei Orgânica do Município vários pontos contra o prefeito. Entre eles, estavam a prorrogação de contratos supostamente irregulares e a passividade em relação à greve que acabou ontem. Outros manifestantes reclamaram da falta de linhas noturnas e dominicais e pediram que o município assuma o transporte.

A resposta do prefeito foi de que o pacote proposto ontem foi o possível após “fazer as contas”. Ele, contudo, disse que “vai refletir sobre o que pode fazer em tudo aquilo que foi pedido”.

Corda

Em diversos momentos, as causas da manifestação se estendiam de novo para saúde e educação. Em um dos mais críticos, o foco virou para a corda que cercava a prefeitura. Os manifestantes diziam que não eram bichos e exigiam a retirada da corda.

“O prédio é inteiro de vidro. Há documentos históricos ali dentro”, argumentou Agostinho. A corda não foi retirada. Alguns sugeriram uma assembleia futura no Teatro Municipal, algo que, ao JC, não foi rechaçado pelo prefeito.

Ao fim da assembleia, que teve reclamações bastante pesadas a Rodrigo, ele disse que saiu satisfeito. “Achei superlegal sentar na calçada e dialogar. Saio realizado. Vamos analisar tudo para ver o que podemos fazer”.

O movimento, entretanto, considerou apenas um início. “Tivemos um avanço. Mas nós temos promessas sempre. Não vamos parar. É um começo para conseguir o que realmente queremos: o passe livre”, conclui o manifestante Altair Pereira.


De novo, a CEI

Outro assunto que novamente voltou à tona foi a instauração da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a composição da tarifa do transporte público. Os manifestantes prometeram não parar até conseguir a comissão, foco do primeiro ato do grupo.

Sobrou para o vereador Markinho da Diversidade (PMDB), que foi cobrado por manifestantes no microfone por não ter assinado para a comissão ir à pauta.

Já Roque Ferreira (PT), autor da proposta da CEI, aproveitou para reafirmar que já há elementos para a abertura.


Assembleia marcada

A pergunta final dos manifestantes ao prefeito foi: “o senhor garante o passe livre hoje?”. Ao receber a resposta negativa de Rodrigo, o grupo gritou novamente que é “só o começo” e decidiu a próxima articulação.

No domingo, novamente no Parque Vitória Régia, às 15h, os manifestantes irão se reunir para discutir o balanço da reunião com o prefeito e definir os atos seguintes.


Pacote tem três pontos

Divulgado ontem à imprensa e também aos manifestantes, o pacote de propostas promete melhorias no transporte público em três pontos: transparência, reestruturação e participação.

No primeiro tópico, foi prometido que, em uma semana, será disponibilizado no site da Emdurb os contratos das empresas do transporte coletivo, aditivos e planilhas. A partir de ontem, a prefeitura também divulgou na Internet os salários de todos os servidores. Outra medida é trabalhar na criação de uma lei municipal de transparência pública e do Conselho Municipal da Transparência Pública.

Na reestruturação, o município prometeu, em 30 dias, a primeira consulta pública da remodelagem do sistema de transporte público. Também disse que vai se empenhar na aprovação pelo Legislativo do PAC da Mobilidade (disponibilizando recursos para a instalação de faixas exclusivas de circulação de ônibus, três terminais de integração e sete quilômetros de ciclovias).

Ainda em reestruturação, o município se comprometeu a entregar, em 10 dias, o projeto para o Fundo Municipal da Mobilidade Urbana.

Algo bastante questionado foram os contratos das empresas atuais. No pacote, Rodrigo prometeu que, até o final de outubro, dois grandes setores de transporte público terão novas licitações. “Não posso garantir qual empresa vai ganhar essas licitações”, ressalvou.

Já em relação à participação, além do desconto de 50% no passe estudantil, a prefeitura se comprometeu a encaminhar para a Câmara, em 10 dias, o projeto do Conselho Municipal da Mobilidade Urbana e o Conselho da Juventude.