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Mãe chora pela morte do filho que morreu assassinado em seu colo |
Um menino de 5 anos foi morto com um tiro na cabeça durante assalto a uma casa na madrugada de ontem, em São Mateus, na zona leste de São Paulo.
Irritado com o choro da criança, que estava no colo da mãe, e porque ela dizia não ter mais dinheiro, o bandido atirou em Brayan Yanarico Capcha.
O grupo de seis homens que invadiram a casa onde moram duas famílias de bolivianos já tinha roubado R$ 4.500, e, mesmo depois de a mãe exibir a carteira vazia, um deles resolveu atirar no filho único de um casal de costureiros que está há seis meses no Brasil.
“Eu não quero morrer, não matem a minha mãe”, implorou a criança.
Dois suspeitos pela morte de Brayan chegaram a ser detidos ainda na tarde de ontem.
Os homens, cujas identidades não haviam sido reveladas até o final da noite, foram levados ao 49.º Distrito Policial (São Mateus). Um suspeito foi preso na manhã deste sábado - este, confessou participação, mas negou ter atirado.
Houve tumulto na porta da delegacia, onde um grupo de bolivianos, com bandeiras e pedindo justiça, tentou agredir os suspeitos. O crime também provocou comoção entre os vizinhos, que fizeram protestos por mais segurança no bairro.
A ação
A casa do menino foi invadida à 0h30 por seis homens armados com pistolas e facas. Os criminosos renderam o pai da criança, Edberto Yanarico Quiuchaca, de 28 anos, e o tio, Carlos Yanarico, na portão de casa, enquanto os dois entravam com um Pálio Weekend azul. Carlos Yanarico foi o primeiro a ser abordado, com uma arma na cabeça.
A mãe, Veronica Capcha Mamani, de 24 anos, abria o portão da garagem quando o marido e o cunhado foram rendidos. “Não gritem, vou matá-los”, disse um dos ladrões.
Cinco dos assaltantes estavam encapuzados - o que levou a polícia a suspeitar que fossem moradores da região. Dois dos ladrões ficaram no térreo, enquanto os demais subiram para o primeiro andar, onde estava o restante das duas famílias - oito adultos e duas crianças.
Ao subir para o quarto do primeiro andar, Veronica percebeu que eles eram agressivos e entregou R$ 3.500. Mas os assaltantes queriam mais e o tio de Brayan desceu até o térreo, onde ficava o quarto dos pais da vítima, para buscar mais R$ 1 mil. Mesmo com a quantia, os criminosos exigiam mais e continuaram a manter as famílias como reféns.
'Cale a boca'
Brayan estava com mais uma criança no quarto numa cama de casal, quando os criminoso subiram. A criança pediu para que a mãe o escondesse. Desesperada, a mãe se ajoelhou e apanhou a criança no colo. “Eu me ajoelhei para que não me matassem”, disse Veronica, na manhã de ontem, ainda com a roupa suja de sangue.
Um dos bandidos encapuzados ordenou que a criança parasse de chorar. “Cale a boca. Faça parar de chorar!”, gritou para a mãe. De acordo com ela, o menino respondeu: “Tá bom, não quero morrer, não quero morrer”.
Os assaltantes não paravam de ameaçar o casal. “Eu vou matar essa criança, vou matar todos se não tiver mais dinheiro”, disse um deles. Foi então que a mãe falou que não tinha mais dinheiro e mostrou a carteira vazia. O criminoso, então, deu um tiro em Brayan e fugiu com os comparsas.