09 de julho de 2026
Nacional

Oposição: Dilma não respondeu às ruas

Por Márcio Falcão | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

O desgaste na imagem da presidente Dilma Rousseff demonstra falta de sintonia do governo com as necessidades reais da população que estão sendo expostas nos protestos que tomam conta das ruas do País, além de representar uma cobrança por mudanças em políticas administrativas e econômicas.

É o que afirmam integrantes de partidos de oposição, após divulgação de pesquisa Datafolha, ontem. Os dados mostram que a popularidade da presidente desmoronou. A avaliação positiva do governo da petista caiu 27 pontos em três semanas, de 57% para 30%. Os dados, no entanto, foram vistos com cautela sobre um possível impacto na corrida presidencial de 2014.

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), disse que a pesquisa acende um “sinal amarelo” no governo. “É um sinal de que os problemas se acumularam na economia, na saúde, na educação e o povo percebeu que ela [Dilma] não toma medidas eficazes para resolver”, afirmou. “Eu diria para a presidente que é hora de governar, de deixar de olhar de lado, de divisionismo, escapismo e assumir responsabilidades.”

Para o tucano, as propostas da presidente lançadas nos últimos dias para responder as manifestações das ruas estão apenas desviando o foco para o Congresso sem tratar de problemas que são de sua responsabilidade.

Questionado se o Datafolha traz algum indicativo para as eleições de 2014, o senador foi cauteloso. “É um sinal amarelo, mas não é um quadro definitivo para eleições. Tem muito tempo. Ela pode se recuperar ou afundar de vez, depende sobretudo dela”.

Para o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), a pesquisa mostra que o governo está “sem rumo e encurralado” e perdendo respaldo popular para operar medidas. Segundo ele, a sociedade percebeu que a “fragilidade econômica denunciada há muito tempo pela oposição é uma realidade”.

“A população explodiu com os gastos da Copa e deu isso tudo que nós estamos vendo nas ruas. Essa avalanche da popularidade é a constatação em número do que as ruas estão mostrando: um governo cheio de equívocos”, disse.

“Eu sinto o governo sem rumo, encurralado, fragilizado e sem saber o que fazer e tentando inventar saída para a crise política”, complementou.

Presidente do MD, o deputado Roberto Freire (SP), afirmou que o resultado do Datafolha indica que a população cobra mudanças estruturais do governo, seja na política econômica ou na administração pública.

“O governo precisa entender que não pode viver só de propaganda porque a realidade está sendo mais forte do que a propaganda”, afirmou. “Essa pesquisa é um anúncio de que a crise vai ser maior do que se esperava e o governo precisa reagir e não é propondo plebiscito”, completou.

Freire defendeu que o governo enxugue gastos, diminua ministérios e altere a política econômica.

O líder do MD na Câmara, Rubens Bueno (PR), afirmou que o levantamento desconstrói o discurso do governo de que não há críticas diretas a gestão Dilma Rousseff nos protestos de ruas. “Não podem mais falar que as vozes das ruas não têm nada contra o governo. É evidente que há insatisfação”, afirmou.

 

Aliados minimizam


Aliados do Palácio do Planalto minimizaram a queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff. Eles atribuem a eventual volatilidade da opinião pública a um “momento de alerta”, resultante das recentes manifestações populares pelo País.

Segundo os governistas, o Planalto aposta na melhora da economia no segundo semestre para recuperar o prestígio da presidente e de sua gestão. Eles reconhecem que o desgaste na imagem da presidente não pode ser ignorado, mas destacam que a crise não se restringe apenas à atuação do governo.

Para o presidente do PT, Rui Falcão, Dilma tem índices superiores aos piores momentos registrados durante os governos Lula e Fernando Henrique Cardoso. O petista afirmou ainda que a pesquisa traz dados positivos ao governo, ao mostrar que medidas anunciadas por Dilma em resposta aos protestos estão sendo bem aceitas pela população.

Segundo o Datafolha, 68% dos brasileiros acham que Dilma agiu bem ao propor uma consulta popular sobre a criação de um grupo de representantes eleitos pelo povo para propor mudanças na Constituição. Só 19% entendem que ela agiu mal. Outros 14% não souberam responder. Quando o Datafolha pediu uma opinião específica sobre a reforma política, 73% afirmaram que são a favor da apreciação desse tema por parte do grupo de eleitos. Opiniões contrárias somam 15%.

Para o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a queda de popularidade da presidente não pode ser ignorada. Contudo, ele acredita que o momento é de “questionamento amplo, generalizado, que não ataca pessoalmente uma figura política, mas todos os políticos”.

Já o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), diz que o governo federal tem, sim, a maior parte das responsabilidades, por se tratar de um descrédito da população quanto aos indicadores da economia.

Ele disse que o país passa, devido às manifestações, por um “momento de alerta”. Para ele, é prematuro falar em 2014. “Estamos saindo vivos de uma batida de trânsito. Resta saber se conseguiremos sair vivos do hospital.”