10 de julho de 2026
Internacional

Egito: manifestante é morto em briga entre rivais e aliados de Mursi

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Um manifestante opositor morreu hoje após ficar gravemente ferido durante um confronto entre aliados e opositores ao presidente do Egito, Mohamed Mursi, em Beni Suef, ao sul da capital Cairo. A morte acontece em meio aos protestos contra o mandatário, que completa um ano no cargo.


Segundo a agência de notícias Mena, o jovem de 22 anos pertencia ao movimento opositor 6 de abril, que acusa o grupo radical islâmico Gama Islamiya de atacar os manifestantes e causar a morte do jovem. Outras 22 pessoas ficaram feridas na cidade.


O Ministério da Saúde informou que, ao todo, 174 pessoas foram feridas durante os protestos no país, a maioria deles em Beheira, no delta do rio Nilo. No Cairo, onde mais de um milhão de pessoas se reuniu na praça Tahrir, 27 pessoas ficaram feridas.


A sede da Irmandade Muçulmana, grupo religioso islâmico aliado de Mohamed Mursi, na capital egípcia foi atacada por opositores, que jogaram coquetéis molotov no prédio, causando um princípio de incêndio. Outros escritórios do partido também foram cercados e atacados por jovens em diversas partes do país.


A polícia também fez um cordão de segurança em volta da casa do presidente, em um bairro nobre do Cairo, para evitar ataques. O porta-voz do governo, Ihab Fhmi, voltou a oferecer o diálogo para os opositores, que se recusam a negociar porque acusam Mursi de querer usar os encontros como fachada política.


O principal grupo de oposição Frente de Salvação Nacional pediu que os atos continuem até que o presidente seja retirado. Em comunicado, o grupo diz que o povo continuará a revolução e manteve suas reivindicações, como a convocação de eleições antecipadas e a queda de medidas que deram mais poder aos islâmicos.


Desde o início do mandato de Mursi, no ano passado, os opositores reclamam contra a condução política do presidente. No final do ano passado, o mandatário aumentou seus poderes e começou a incluir artigos da lei islâmica, restringindo direitos.


Também houve forte pressão sobre o Judiciário, acusado pelos islâmicos de ser aliado do ex-ditador Hosni Mubarak, que governou o país até 2011. O Egito também enfrenta uma forte crise econômica causada pelo aumento dos gastos do governo e a queda do faturamento no turismo.


Em entrevista ao jornal britânico "Guardian" publicada hoje, o presidente disse que não vai renunciar e considerou que os protestos não podem ser usados para dar um golpe contra os resultados de uma eleição livre.


"Não há espaço para nenhuma negociação contra a legitimidade constitucional. Se um presidente eleito é forçado a sair, haverá opositores ao novo presidente e, semanas ou meses depois, eles pedirão que ele renuncie também".