09 de julho de 2026
Internacional

Militares dão ultimato para Mursi

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

As Forças Armadas do Egito deram ontem um ultimato de 48 horas ao presidente Mohamed Mursi e à oposição para chegarem a um acordo para resolver o impasse político criado pelos protestos que pedem a renúncia do mandatário e a convocação de novas eleições.

As manifestações, que começaram no fim de semana, tiveram confrontos intensos na noite de anteontem e na madrugada de ontem, deixaram 16 mortos e 781 feridos. Mursi completou anteontem um ano de governo e é o primeiro presidente eleito desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

Em comunicado, o general Abdel Fattah al-Sisi disse que os militares apresentarão “seu projeto político” caso as forças do país não cheguem a um acordo até amanhã. “Se os desejos do povo não são encarados neste período, nós teremos a incumbência de anunciar um mapa para o futuro”.

Segundo o militar, o projeto convocado será apenas supervisionado pelo grupo, incluindo a participação de todos os atores nacionais e a juventude. Ele, no entanto, descarta a participação das Forças Armadas na política ou no governo.

Para ele, as manifestações pedindo a renúncia de Mursi marcam “uma expressão sem precedentes da vontade popular”, que deve ser respondida pelas forças políticas sem perder tempo.

Em entrevista na Tanzânia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Mursi e à oposição que trabalhem em conjunto para avançar as reformas democráticas no país.

Ele também lembrou que as reformas são uma das exigências para a manutenção da ajuda econômica americana ao Egito.


Ministros renunciam

Quatro ministros do Egito renunciaram ontem. A decisão foi tomada após uma reunião entre os demissionários, que não pertencem à Irmandade Muçulmana, grupo religioso ao qual Mursi é vinculado e principal alvo dos protestos. Após o encontro, eles encaminharam seus pedidos ao primeiro-ministro egípcio, Hisham Qandil.

Os ministros que renunciaram são Hisham Zaazu (Turismo), Atef Helmi (Telecomunicações), Hatem Bagato (Assuntos Parlamentares) e Khaled Fahmi (Meio Ambiente). As agências de notícias Mena e Efe também informam a demissão de Abdelqaui Khalifa (Recursos Hídricos), mas esta ainda não foi confirmada.

Um deles, Zaazu, já havia pedido para sair em meados de junho por não concordar com a nomeação de Adel al Jayyat, político radical islâmico, para a administração da cidade turística de Luxor. O novo governador da região é integrante de um grupo que reivindicou um ataque que matou 58 estrangeiros na cidade em 1997.

Os demissionários afirmam que a decisão é irrevogável. Além dos ministros, outros cinco senadores opositores deixaram o Conselho da Shura (Câmara alta do Parlamento). Ainda não há informações sobre os motivos que os levaram à renúncia.

A saída dos membros do governo, no entanto, não são encaradas como um grande golpe para Mursi, já que os principais ministérios são dominados por aliados da Irmandade Muçulmana. No entanto, são as primeiras baixas desde o início dos protestos, os maiores desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 2011.