08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Telexfree


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Há mais de uma semana uma ação legal interrompeu a tranquilidade e o sonho de milhares de brasileiros que, na expectativa de uma "vida melhor", investiram na Telexfree. Juntamente com o desespero desses, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas nas redes sociais que se mostraram extremamente felizes com o possível fechamento da empresa, mas também pela possibilidade de prejuízo das pessoas que investiram suas economias, seus bens, o que tinham e o que não tinham.

Acessem e vejam a quantidade de pessoas e quem são essas pessoas que estão adorando o contexto que se configurou nesses últimos dias. Chego à conclusão de que, felizmente, esses estão muito bem de vida, são donos ou filhos de donos de bancos ou de empresas que prestam serviços para essas "legais" instituições financeiras ou para o governo, ou são donos de instituições que precisam ou que acumulam riquezas com a miséria do povo. Há muito trabalho com banco, há muito utilizo seus produtos (empréstimos, cheque especial e cartão de crédito) e há muito só perco.

O governo empresta dinheiro, o nosso dinheiro, aos bancos com uma taxa de juros muito abaixo da taxa que esses, com a chancela federal, nos cobram quando precisamos utilizar tais produtos, quando extrapolamos nossos limites. Já ouvi muitos dizerem que os donos da Telexfree trabalham com o nosso dinheiro. Trabalham mesmo, mas os bancos também trabalham, mas, ao contrário da Telexfree, não nos dão nenhum retorno, muito pelo contrário, cobram-nos altíssimas taxas de juros. A matéria do Fantástico (dia 30/6/2013) me mostrou que os bancos e banqueiros estão incomodados com o crescimento de sistemas de marketing multinível.

A Globo não faria uma reportagem com a superficialidade que fez se não tivesse, como sempre teve, outros interesses envolvidos. Conseguem imaginar quantas pessoas retiraram seus investimentos das tão lucrativas cadernetas de poupança? Que loucura! Sabem quantas pessoas fizeram financiamentos para investir na Telexfree? Ahhh, mas se eles fizeram financiamentos os bancos não deveriam estar satisfeitos? Não estão porque os financiamentos foram feitos em poucas parcelas. Já que o dinheiro investido é rapidamente recuperado. Não precisamos fazer empréstimos em 48, 60, 80 parcelas. Eu também fiz, e já quitei. Para o banco eu não sou mais um bom cliente. Além disso, o governo precisa controlar o consumo, pois com o consumo elevado, eleva-se também a inflação.

Conseguem compreender o quadro de risco que se formou? Tenho conhecimento de que temos que manter a inflação "controlada", mas não será fácil dizer à população que dificilmente teve acesso às oportunidades. Será muito difícil controlá-la. Não foi educada para isso. Então, vamos mantê-la sem dinheiro. Assim, mais do que falar em Telexfree, falamos em oportunidade. A quase totalidade da população brasileira está cansada da falta de expectativa. Quem acompanhou o desespero de milhares de brasileiros quando surgiu o boato de cancelamento da Bolsa Família, compreende a miséria que muitos vivem.

Até que enfim surgiu um sistema que nos recompensa de maneira mais justa. Tenho vários amigos que, com razão, não acreditaram, não confiaram na proposta de "ganho fácil", mas nem por isso torceram contra. Também, diante de tantas dificuldades que temos de acumular dinheiro ou viver com certo conforto, é sensato desconfiar da grande oferta. Mas não pensem em "ganho fácil", mas em ganho justo, onde todos ganham, não somente os donos da Telexfree, mas também seus consumidores, seus divulgadores.

Não pensem vocês que desejo o sucesso da Telexfree a qualquer preço. Caso seja um negócio ilegal ou golpe espero que a empresa realmente feche e arque com a responsabilidade de devolver o dinheiro daqueles que não recuperaram os investimentos. Mas a reportagem da Globo não conseguiu me convencer, talvez pela minha ignorância, de que trata-se de um negócio ilegal. Ela foi muito mais positiva do que negativa. Ela nos deu uma ideia dos pontos que devem ser ajustados. O sistema de pirâmide não pode prevalecer, pois chegará um momento que a rede poderá não ser mais alimentada. O fato dos contratos serem anuais possibilita uma sustentação maior, mas, mesmo assim, outras ações deverão ser assumidas para tornar tal sistema legítimo.

Então, ao invés de tirarem sarro, darem gargalhadas, torcerem para que a "casa caia" ou que a Telexfree ou outros sistemas deixem de "voar", ao contrário de torcerem para que as pessoas percam tudo, torçam para que o sistema se torne sustentável, privilegiando um número cada vez maior de brasileiros, inclusive vocês sarristas, ao invés do sistema atual que mantém o dinheiro em um pequeno círculo de pessoas e empresas.

professor Flávio Oliveira - consumidor Voip e divulgador Telexfree