08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ferrovia


| Tempo de leitura: 1 min

O gigantesco trem de passageiros, tracionado por potentes locomotivas elétricas, conduzindo confortáveis vagões de aço inoxidável, a serviço da classe econômica, restaurante, 1.ª classe, pulman, dormitórios, correios, valores, ao avançar a escuridão, em traçado de via terrestre seguro, antipoluente e exclusivo, deixava um vago resplendor nas trevas da noite. Sua desativação no "Coração do Estado" mais populoso do País se fez sentir sobremaneira. Chegam as festas juninas: o primeiro São João sem volta do "noturno".

Havia no ar densa nostalgia. Balões multicores, desprovidos de tochas, subiam ao céu, indecisos, e afogavam-se nas brumas. Foguetes riscavam o ar procurando: ninguém sabia o quê; desenhando caminhos: ninguém sabia para quem; buscapés corriam pelo chão atrás talvez de perdidos sonhos; lábios escarlates desfolhavam sorrisos; olhares tinham brilho de astros e umidade de prantos.

Evoluíam afetuosas lembranças; dos arcanos da mente os pensares cativos se escapavam; dos corações , incautas, as paixões fugiam - e andavam às soltas pela noite silente subvertendo as sombras. Fazia frio quando a festa chegava ao seu final. E, como eu estava triste, o frio parecia mais frio.

O tempo passou. E hoje, de retorno à nostálgica Festa de São João, ao apagar-se a fogueira, ressurgiu das cinzas do passado devotado lamento, em face da incongruente desativação do mencionado transporte de massa alternativo: no Interior do Estado mais populoso da Federação".

Wanderley Brosco - chefe geral de estação EFS\Fepasa\CPTM- aposentado