10 de julho de 2026
Nacional

Manifestações travam 21 rodovias

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Após a onda de manifestações nas ruas do País nas últimas semanas, caminhoneiros iniciaram ontem uma série de protestos que travaram 21 rodovias em nove Estados (veja quadro). As paralisações provocaram bloqueios parciais ou totais durante mais de 11 horas em trechos de rodovias.

Entre as afetadas, Dutra, Anchieta e Castello Branco, onde a Tropa de Choque da Polícia Militar chegou a ser acionada para liberar as pistas no começo da noite. Houve princípio de confronto com manifestantes na região de Itapevi (Grande SP).

Os motivos alegados para a mobilização dos caminhoneiros eram diversos - da cobrança de pedágio a reivindicações por melhorias nas condições de trabalho.

Além de São Paulo, houve protestos da categoria no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Bahia.

O Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), que encabeça as manifestações, afirma que elas deverão prosseguir até quinta-feira. Elas não têm apoio de outras associações do setor nem do sindicato das empresas de transporte de carga.

Em São Paulo, caminhoneiros aproveitaram a mobilização convocada pelo MUBC para questionar a volta da cobrança do pedágio por eixo suspenso dos veículos.

A medida, prevista para começar ontem, havia sido anunciada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Sua implantação acabou adiada.

Os caminhoneiros também protestaram contra a Lei do Descanso, válida desde 2012, que obriga os motoristas profissionais a terem uma pausa de 11 horas por período trabalhado. A meta é diminuir o tempo para que o motorista fique mais tempo ao volante.

Na Anchieta, o tráfego de três das quatro pistas foi interrompido nos dois sentidos, em São Bernardo do Campo, no ABC, das 6h às 17h.

Em Minas, nove trechos de quatro rodovias federais ficaram total ou parcialmente fechados por causa dos protestos dos caminhoneiros.

Três rodovias federais ficaram fechadas na Bahia. A BR-242 ficou totalmente interditada em dois trechos próximos aos municípios de Barreiras e Muquém do São Francisco, na região oeste.

Em Mato Grosso, caminhoneiros ocuparam acostamentos da BR-364, entre Cuiabá e Rondonópolis. O congestionamento chegou a dez quilômetros. Motoristas pedem melhoria nas estradas.

No Rio Grande do Sul, a BR-392, ficou interditada por duas horas. Na BR-262, em Viana (a 22 km de Vitória), ambulâncias, carros e ônibus passavam pelo acostamento.

Artesp

A cobrança de pedágio integral para caminhões que estiverem com eixos suspensos, que começaria ontem, foi suspensa no Estado de São Paulo, segundo a Artesp (agência de transporte de SP), que fiscaliza as concessões das rodovias paulistas.

A medida provocou protestos em diversos Estados ontem, mas, pesar disso, a Artesp afirmou que a cobrança será sim implantada. Ela serviria para compensar a suspensão do aumento das tarifas dos veículos de passeio, que seria de 6,5%.

Segundo a agência, a cobrança do eixo suspenso não foi iniciada ontem porque ainda depende da conclusão de medidas jurídicas e técnicas para ser efetivada. Não há previsão para que essas medidas sejam concluídas. Esse tipo de cobrança já é feito nas rodovias federais.


Frigorífico cancela abates

Por causa da greve de caminhoneiros, a catarinense Aurora Alimentos anunciou ontem a redução ou paralisação de atividades em cinco plantas industriais da empresa a partir de hoje. Pelo menos 2 mil funcionários serão liberados do trabalho.

A paralisação convocada para esta segunda é promovida pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro com o objetivo de fechar algumas rodovias do país.

O frigorífico de São Miguel do Oeste (730 km de Florianópolis) vai reduzir o abate diário de suínos de 1.900 para 950 animais por dia.

A unidade de Maravilha (607 km de Florianópolis), responsável pelo abatimento de aves, vai suspender totalmente as atividades. Segundo a empresa, 145 mil frangos são processados diariamente no frigorífico.

Três unidades da Aurora em Chapecó (550 km de Florianópolis) terão suas atividades reduzidas em 30% em diversas áreas.

Ainda de acordo com a Aurora, a paralisação afeta também a distribuição de ração para 20 milhões de aves e 800 mil suínos.