Não foi somente a frota de Bauru que aumentou nos últimos anos. Infelizmente, a falta de conscientização de proprietários de animais de grande porte também cresceu. Os números apontam isso. Somente no primeiro semestre deste ano, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) apreendeu 102 animais soltos nas vias da cidade. Na comparação com o mesmo período de 2012, a elevação foi de 50%.
Conforme o JC divulgou na edição de ontem, a situação preocupa. Perambulando pelas ruas, cavalos e bois representam um risco iminente de acidentes. O caso mais recente deixou Caroline Molina, 21 anos, internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (leia mais abaixo). O carro em que ela estava - com outros três jovens - capotou após bater em uma vaca.
No primeiro semestre do ano passado, a divisão de Vigilância Ambiental do CCZ realizou 68 apreensões desses animais soltos pelas ruas. Este ano, já foram 34 casos a mais. Para se ter uma ideia, em 2013, a média é de cinco apreensões por semana.
Vale destacar que esses números são referentes somente ao perímetro urbano de Bauru, uma vez que, nas rodovias, a responsabilidade é do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) ou das concessionárias.
De acordo com o CCZ, sempre que há denúncia, um fiscal vai até o local. Caso constatado o abandono, o animal é apreendido.
Uma das críticas é de que o órgão não teria condição de atender a demanda. Por meio da assessoria de comunicação, o CCZ afirma que a atual estrutura é suficiente. “Atualmente o setor conta com recursos humanos e equipamentos necessários para a apreensão em condições adequadas para a função. Um caminhão e uma carreta são usados para o recolhimento desses animais”, informou, em nota.
Conforme já confirmado até pela própria polícia, um dos grandes obstáculos nesse contexto é a dificuldade de se localizar e punir o proprietário desses animais soltos. O CCZ, contudo, alega que o seu fiscal também ajuda na tentativa de encontrar o dono.
Quando é o proprietário quem vai atrás do animal recolhido, ele é autuado e ainda precisa arcar com a diária da apreensão e uma taxa de liberação. “Todos os animais apreendidos são identificados por microchip antes de serem devolvidos”, destaca o órgão.
Falta consciência
A presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Naturae Vitae, Fátima Schroeder, confirma que falta conscientização aos proprietários de animais de grande porte. “Muitos dos donos são pessoas muito humildes. Falta entendimento dessas pessoas das responsabilidades e do que pode causar um animal desses solto”.
Segundo ela, o problema está ainda muito atrelado ao fato de haver muitos carroceiros na cidade. “É um absurdo haver carroças em Bauru ainda. Nós recebemos denúncias frequentes de cavalos abandonados em terrenos baldios”.
A bióloga aponta que a falta de consciência de proprietários não se reflete somente no abandono. “As pessoas acham que um equino só vive de capim. E não é só isso. Há uma série de cuidados a serem tomados”, conclui Schroeder.
Serviço
O recolhimento de animais soltos em vias públicas é acionado por meio do Plantão Policial 190. O serviço de recolhimento funciona 24 horas em sistema de plantão diário. Nas rodovias, as pessoas devem ligar no 0800-0555510.
Punição criminal e civil
Em casos de acidente provocado por um animal solto na rua ou rodovia, o indiciamento do dono varia. A punição pode ir desde o crime de periclitação da vida ou saúde de outro (que resulta em três meses a um ano de prisão) a penas maiores.
Se houver a morte da vítima, o proprietário pode responder por homicídio culposo ou até com dolo eventual, por ter assumido o risco e as consequências de deixar um animal solto.
Fora a responsabilidade criminal, as famílias das vítimas podem ainda acionar o proprietário na Justiça. Condenado, ele pode ter que arcar com indenizações.
Polícia dá dicas para prevenir acidentes
Diante do risco de acidentes, a Polícia Militar (PM) recomenda direção defensiva aos motoristas. “As pessoas precisam prever as situações de risco”, resume o primeiro tenente José Sérgio de Souza, comandante do Pelotão de Trânsito da PM.
Entre as dicas para minimizar a possibilidade de se envolver em acidentes com animais, o tenente explica que o cuidado deve ser redobrado durante a noite. “É quando ocorrem os acidentes mais graves”.
Por isso, os motoristas devem sempre respeitar o limite permitido da velocidade da via. “Se o motorista perceber algum animal por perto, ele deve ver o retrovisor para visualizar se há outro veículo logo atrás e, se possível, reduzir a velocidade”, aconselha o comandante.
Ao passar pelo animal, não se deve nunca buzinar. “Isso assusta o animal e ele vai em direção a outros carros ou ao próprio motorista que buzinou”, complementa.
Após passar pelo animal, o motorista deve acionar o policiamento e, se possível, alertar os motoristas que vêm na direção oposta.
Jovem segue na UTI em estado regular
Caroline Molina segue internada na Hope (espécie de UTI) do Hospital de Base (HB). Por volta das 18h de ontem, a instituição informou que o estado da jovem é regular. Segundo o que o JC apurou, o quadro apresentou melhoras.
O acidente ocorreu no início da madrugada de anteontem, na quadra 28 da avenida José Vicente Aiello. Além de Caroline, estava o motorista do carro, de 19 anos, e outros dois adolescentes, com idades de 15 e 17 anos. Eles, porém, tiveram apenas ferimentos leves.
De acordo com o boletim de ocorrência (BO), o automóvel transitava no sentido Lago Sul-Cemitério do Ipê, quando colidiu com a vaca e capotou.
O animal morreu no local. Moradores acionaram a reportagem reclamando que o cadáver da vaca, mesmo dois dias após o acidente, ainda estava na via. Por meio da assessoria de comunicação do município, a Secretaria de Obras comunicou que faria a retirada do animal ainda ontem.