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Na véspera do prazo dado pelo Exército do Egito para o governo apaziguar as revoltas que voltaram a tomar as ruas, o país viveu um dia tenso, com confrontos entre opositores e simpatizantes do presidente islamita Mohammed Mursi.
No fim da noite, ele discursou em rede nacional para dizer que não deixará o cargo. Por cerca de 45 minutos, Mursi afirmou estar aberto ao diálogo com a oposição e reconheceu que cometeu “erros”, mas chamou a si de “guardião da legitimidade”. “Se o preço de preservar a legitimidade é meu sangue, estou preparado para o sacrifício”, disse o presidente.
Desde domingo, milhões estão nas ruas para pedir a saída de Mursi, eleito democraticamente há um ano para suceder o ex-ditador Hosni Mubarak, destronado em 2011 pela Primavera Árabe. Ontem, confrontos entre opositores e simpatizantes do governo deixaram sete mortos no Cairo. Houve conflito também em Alexandria.
Não está claro que tipo de intervenção pode ser levada a cabo pelas Forças Armadas. O ultimato termina oficialmente às 17h (às 12h, no horário de Brasília).
Embora os militares tenham negado a hipótese de dar um golpe, fontes oficiais afirmam que há planos de suspender a Constituição e dissolver o Parlamento, dominado por islamitas.
Um conselho provisório seria formado por civis vindos de diferentes setores da população, mas sem detalhes de como isso ocorreria. “As pessoas elegeram Mursi. Agora, queremos tirá-lo do poder”, diz à reportagem Lamia Samy, durante uma manifestação, abafada pelos sons dos fogos de artifício. “Nós o contratamos e, se quisermos, podemos demiti-lo.”
Os apoiadores de Mursi, por sua vez, pedem que ele possa concluir seu mandato e apontam que a solução democrática para o impasse é demonstrar a insatisfação nas próximas eleições.
Suspender Constituição e dissolver Parlamento
As Forças Armadas do Egito pretendem suspender a Constituição e dissolver o Parlamento dominado por islâmicos de acordo com um plano político a ser executado se o presidente do país, Mohamed Mursi, e seus opositores não conseguirem chegar a um acordo de partilha de poder até hoje, disseram fontes militares.
As fontes afirmaram que o Conselho Supremo das Forças Armadas ainda discutia detalhes deste plano, destinado a resolver a crise política que levou milhares de manifestantes às ruas. O roteiro pode ser alterado com base em acontecimentos políticos e consultas.