09 de julho de 2026
Regional

Médicos de Botucatu 'abraçam' hospital para protestar

Renata Marconi com agências
| Tempo de leitura: 2 min

Os médicos do Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu paralisaram o atendimento nesta quarta-feira (3) para protestar contra o projeto do governo federal, em que os médicos estrangeiros poderão atuar no Sistema Único de Saúde (SUS), temporariamente, sem a necessidade da revalidação do diploma.

Fotos: Acontece Botucatu

Os manifestantes fizeram um abaixo-assinado, com aproximadamente 2.800 assinaturas para pedir mais investimento na saúde

Cerca de 400 pessoas, entre médicos residentes e contratados, alunos e médicos da rede básica de saúde, deram um abraço simbólico no HC, por volta das 10h30. Uma passeata também foi organizada, por volta das 13h, até o largo da catedral.

Foram colhidas, aproximadamente, 2.800 assinaturas em um abaixo-assinado que pede que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional seja direcionado para a saúde. Este pedido será entregue ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

O médico Pedro Bonequini Jr., organizador do evento, disse que as consultas de hoje já foram remarcadas e que os serviços de urgência e emergência estão funcionando normalmente.


Médicos fazem protestos hoje em todo o País

Atos públicos para protestar, principalmente, contra a vinda de médicos estrangeiros para o Brasil sem a revalidação do diploma pelo Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, o Revalida, foram realizados nesta quarta-feira (3).

Os Estados do Acre, Amapá, de Sergipe e o Distrito Federal paralisaram o atendimento ambulatorial durante todo o dia. Em Minas Gerais, houve suspensão das consultas na hora da manifestação. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, Mato Grosso também suspendeu o atendimento.

As entidades deixam claro que os atendimentos de urgência e emergência funcionam normalmente. Segundo a categoria, o baixo investimento do governo na saúde pública é o principal problema do setor. Para os médicos, o país tem número suficiente de profissionais para suprir a demanda, e se houvesse uma estruturação das unidades de saúde e a criação de uma carreira, os vazios assistenciais seriam preenchidos.

O Ministério da Saúde anunciou, no dia 25 de junho, que criará 35 mil vagas para médicos no Sistema Único de Saúde (SUS) até 2015. De acordo com a pasta, serão contratados profissionais que se formaram no exterior para ocupar os postos que não forem preenchidos por médicos com diplomas brasileiros.

O plano do governo é criar programas de autorização especial para que os profissionais que se formaram fora do país só possam atuar na atenção básica, nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. Caso sejam aprovados no Revalida, esses médicos terão liberdade de trabalhar em qualquer lugar do país.

Alguns conselhos regionais de Medicina, como os do Rio de Janeiro e de Goiás, adiantaram que não vão registrar médicos que não forem aprovados no Revalida.