08 de julho de 2026
Bairros

Mulher é achada morta em córrego

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Uma pessoa religiosa, trabalhadora, mãe, sem desavenças ou tampouco passagens criminais. Assim é descrita Aline Cristina de Oliveira Moreira. Mesmo assim, sua vida teve um desfecho trágico. Na manhã de ontem, a mulher, de 25 anos, foi encontrada morta em um córrego no Núcleo Residencial Beija-Flor, em Bauru. Além de homicídio, a polícia investiga a tentativa de um estupro.

O corpo da recuperadora de crédito foi encontrado por volta das 7h30 da manhã na quadra 1 da rua Professora Julieta Guedes por pessoas que passavam pelo bairro e acionaram a Polícia Militar (PM). Com o rosto submerso e virado para baixo, Aline estava caída no córrego Barreirinho sob a ponte que liga o bairro Santa Luzia ao Beija-Flor.

O Corpo de Bombeiros e a Polícia Científica foram ao local. Eles constataram a morte e retiraram o corpo do córrego. “Ela tinha um ferimento na testa, que poderia ter sido provocado por um objeto pontiagudo. Nenhum instrumento foi localizado. Dá para afirmar que não foi um disparo de arma de fogo”, explica o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Kleber Granja.

Ainda não é possível saber se a jovem morreu em decorrência desse ferimento ou se, após ser atingida, desmaiou e acabou se afogando. “Um exame irá determinar se há água nos pulmões e poderemos determinar a causa da morte. O que já podemos afirmar é que não foi natural. Foi uma morte violenta”.

Como o corpo não apresentava rigidez cadavérica, a polícia já concluiu que a vítima fora morta pouco tempo antes de ser localizada.

Próximo ao local onde Aline estava, há uma área de terra, onde foram encontrados um colchão e um travesseiro. Ali, havia manchas de sangue. No chão, há marcas indicando que Aline pode ter sido arrastada e jogada no rio.

Ao redor da ponte não há casas nem estabelecimentos comerciais. No entanto, por conta de um retorno que dá acesso aos bairros e à rodovia Marechal Rondon, o movimento de veículos no local é intenso.

Segundo o capitão Ézio Carlos Vieira de Melo, coordenador operacional interino do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), ninguém teria presenciado o fato. “Em diligências, os policiais tentaram localizar alguma testemunha que pudesse ter visto alguma coisa, mas, até o momento, nada que pudesse elucidar foi verificado”, disse.

Marido

Aline Cristina morava a duas quadras de onde o corpo foi encontrado. O trabalho da retirada do corpo atraiu várias pessoas. Luiz Henrique Moreira, 28 anos, foi um dos que foi ver o que ocorria. Ao chegar lá, a triste surpresa: era a esposa que estava no córrego.

“É ela. É minha esposa”, gritou o homem. A reportagem presenciou o momento em que ele reconheceu o corpo da mulher, com quem mantinha um relacionamento de sete anos.

“Ela não fazia esse caminho. Foi uma cilada”, disse Luiz Henrique. Ele foi ouvido pela polícia e arrolado como testemunha.

Pouco após a identificação, familiares e amigos da vítima chegaram para acompanhar o trabalho da perícia. Ninguém falou com a imprensa.

O velório de Aline Cristina começou ontem no Centro Velatório São Vicente e o sepultamento ocorre hoje às 10h30, no Cemitério Jardim do Ipê. Trata-se da 21ª vítima de homicídio em 2013 na cidade.


Viagem para Portugal

Aline Cristina de Oliveira Moreira planejava realizar, juntamente com o marido e a filha de apenas 6 anos, uma viagem para o exterior. Os planos, porém, foram interrompidos na manhã de ontem. “A vida dela era do trabalho para a igreja. Ela era muito trabalhadora e uma excelente mãe”, disse o marido da vítima, Luiz Henrique Moreira, 28 anos.

Segundo ele, a família planejava viajar para Portugal em breve. “Iríamos ver meu pai.”. O marido conta que estava dormindo quando a esposa saiu de casa. Ele afirma não ter qualquer ideia do que pode ter ocorrido. “Foi uma cilada aquilo. Nem imagino quem poderia fazer isso com ela. Se soubesse, eu acabaria com essa pessoa. Tenho fé em Deus que teremos uma resposta logo”, concluiu.


Polícia apura homicídio e até tentativa de estupro

A grande peça que falta neste quebra-cabeça é o motivo do crime. O perfil tranquilo de Aline Cristina de Oliveira Moreira é o que envolve a investigação em um grande mistério. Por isso, nenhuma hipótese é descartada.

Ao lado do corpo da jovem, estava sua bolsa. Somente o celular não estava lá. Como mais nada foi levado, a polícia descarta que tenha sido latrocínio (roubo seguido de morte). “A principal linha de investigação é mesmo homicídio. Porém, não descartamos que tenha sido uma tentativa de estupro”, aponta o delegado Kleber Granja.

Os familiares afirmaram que aquele não era o trajeto costumeiro de Aline Cristina. Ela pegava o ônibus em um ponto nas proximidades para ir ao trabalho. Por isso, a polícia suspeita que a mulher tenha sido “arrebatada” logo após sair de casa. “Dá a entender que ela foi levada até aquele lugar. Talvez, sob ameaça”, teoriza o delegado. No local, havia pegadas da mulher e também de uma outra pessoa.

Ontem, o marido e os familiares foram ouvidos pelos policiais. “Ninguém trouxe nada que pudesse levantar qualquer suspeita”, complementa.

A polícia pede que quem tenha qualquer informação sobre o caso acione o Disque-Denúncia da Polícia Civil, por meio do telefone 197. “Se alguém viu qualquer situação suspeita, pode denunciar. O sigilo é garantido”, finaliza Kleber Granja.