08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Repúdio


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Algo que ficou evidente nessas manifestações que tomaram as ruas do País foi a indiferença da população com os partidos políticos quando algumas agremiações quiseram fazer coro aos movimentos populares. Com cartazes condenando a participação, os manifestantes praticamente expulsaram aqueles que levantavam bandeiras que faziam qualquer alusão a organizações políticas. Nos conteúdos das mensagens empunhadas com fervor, frases como "fora partidos políticos!" e "partidos políticos não me representam!".

Cabe aqui uma reflexão. A insatisfação expressa do povo para com os partidos políticos acende a luz de alerta nessas organizações, significando alguma coisa errada nessa relação, hoje desgastada, entre povo e política. Resultado da inércia daqueles que representam a população, os homens públicos, frente às necessidades do povo. Grande parte da culpa de tal relação de repúdio entre povo e partidos políticos é a corrupção, esse câncer na sociedade brasileira que emperra o desenvolvimento de qualquer Nação. Não que a sociedade brasileira não tenha evoluído. Muitas famílias, vindas das classes mais pobres, realmente mudaram seus padrões de vida, adquirindo bens que antes não imaginavam ter como eletrodomésticos e automóveis. Contudo, os serviços públicos continuaram sem qualidade, caso dos transporte público, da rede de saúde e do policiamento nas ruas.

É o que pensa o sociólogo e crítico em temas sociais Giampaolo Baiocchi,. Para ele, no momento em que os índices sociais começam a melhorar, a sociedade fica mais exigente. Pensamento compartilhado pelo consultor político João Santana. Ele vai além. Afirma que "da porta pra dentro" a vida do brasileiro melhorou com o aumento de emprego, da renda e do consumo, não podendo dizer o mesmo "da porta pra fora", com o crescimento da criminalidade, a piora do trânsito e do transporte público. É necessário que os homens públicos façam uma profunda análise dessa repulsa vinda da população para com os partidos políticos e encontrem formas de mostrar uma nova faceta de tais agremiações, mais voltadas aos apelos sociais. É assim que se constrói uma administração pública eficiente.

Hélder Maurício Tavares - jornalista